Mostrar mensagens com a etiqueta literatura. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta literatura. Mostrar todas as mensagens

quarta-feira, 16 de janeiro de 2013

linhas de cascais - Sarah Adamopoulos

Ela nunca o tinha visto na vida. Olhou em redor e tentou adivinhar. Não, não podia ser aquele. Aquele era um homem que tinha o cabelo louro e uma camisa às risquinhas. Tinha também uns sapatos com berloques. Cascais casual look.

A Vida Alcatifada (1997)

sábado, 12 de janeiro de 2013

linhas de cascais - Jorge Amado

O ministro recordaria o facto certamente, datava apenas de um ano: o então conselheiro da embaixada fora preso pela polícia lusitana quando, bêbado como uma cabra, tomava banho nu na praia elegante do Estoril, à meia-noite, em companhia da esposa do ministro salazarista das Obras Públicas, nua ela também, sem ter sequer longos cabelos com que cobrir o corpo «como o fazia Eva no Paraíso».

Os Subterrâneos da Liberdade -- I Os Ásperos Tempos (1954)

quarta-feira, 5 de dezembro de 2012

linhas de cascais - José Saramago

«O Chico anda agora influidíssimo com uma bailarina inglesa do Casino do Estoril, e ninguém o vê. Telefona-me às vezes para se gabar -- e que bem que ele sabe gabar-se.»

Manual de Pintura e Caligrafia (1977)

domingo, 25 de novembro de 2012

linhas de Cascais -- Sérgio Luís de Carvalho

«No bairro de S. Pedro, no caminho para o Ramalhão, está a gafaria de Sintra. O cemitério onde os que sofrem do mal de S. Lázaro são enterrados é um pouco mais à frente. Coisa comum é os gafos postarem-se junto à estrada que vai para Lisboa e para Cascais, pedindo esmola àqueles que passam.»

Anno Domini 1348 (1990)

quinta-feira, 29 de março de 2012

Linhas de Cascais - Ferreira de Castro

Ao passar a linha, para o Monte Estoril, ele voltou-se : -- e os seus olhos contemplaram as «silhouettes» negras dos palácios que se debruçavam para o oceano : -- como uma interrogativa saída duma grande meditação.
Depois volveu a andar : -- a subir a encosta suave -- donde ele via e ouvia o mar : -- e via aqueles faróis vermelhos dum vapor que atravessava as ondas, silencioso como um gatuno que se servisse nas trevas duma lanterna eléctrica.

Eduardo Frias e Ferreira de Castro, A Boca da Esfinge, Lisboa, Livrarias Aillaud e Bertrand, 1924.

Regatas em Cascais, com Monte Estoril ao fundo



segunda-feira, 26 de março de 2012

linhas de Cascais - Ferreira de Castro

E alheado de si mesmo : -- entregue a uma indolência negra : -- que não lhe deixava debruçar-se sobre a própria alma, ele chegou a Cascais.
Contrariou-o o facto, pois quisera jantar em qualquer lugar menos plebeu : -- em qualquer Casino ainda sem frequentadores ou qualquer hotel que já não tivesse hóspedes no salão.
Ante o inevitável, entrou no Riviera, àquela hora tardia já despovoado de comensais : -- e jantou rapidamente, enervado, mal disposto.
E saiu depois : -- e atravessou a vila vagarosamente : -- sob o fluxo das recordações, que vinha do mais longínquo do seu passado esbater-se na sua alma : -- como aquelas ondas cujo rugido perturbava o silêncio quente da noite : -- e que vinham também do remoto dos mares.

Eduardo Frias e Ferreira de Castro, A Boca da Esfinge, Lisboa, Livrarias Aillaud & Bertrand, 1924.

terça-feira, 28 de dezembro de 2010

Linhas de Cascais - Rui Henriques Coimbra

No ano passado, fui com a minha avó. Ela andava desanimada com o número que a companhia lhe queria dar, depois de ter deixado a sua casa em Campo de Ourique. Agora instalada num andar no Monte Estoril, queria um número fácil de lembrar. Fácil de lembrar para os amigos e para ela, que já anda muito esquecida devido à idade. Quando fez a assinatura, queriam dar-lhe o 4681359, mas ela pôs-se logo a barafustar. Eram algarismos todos diferentes, quem é que ia conseguir-se lembrar daquela salganhada toda? A operadora da Telecom disse-lhe para não se desanimar. Por mais 30 contos podia ter direito ao sorteio de mais três números. A minha avó aceitou: 4682281, rejeitado porque no meio da harmonia dos números baixos havia um 8 a despontar, como um calo no pé: 4689826, que a minha avó detestou porque o 2 interrompia a descida simpática do 9 até ao 6, e o 4687991, momento em que ela foi aos arames porque podia ser o número perfeito se fosse 4687997. Foi nesse momento que se decidiu por ir ao leilão de números telefónicos comigo.

«O número da Sorte Grande», Linhas Cruzadas -- Antologia de Contos PT, Lisboa, Portugal Telecom, 2000.

quinta-feira, 13 de maio de 2010

linhas de cascais - Vasco Graça Moura


E foi assim que, três dias depois, eu estava sentado a uma mesa, numa sala com vistas para o mar, a almoçar numa casa perto de Cascais, com uma mulher que vestia casaco de tweed e botas de montar. Teria cinquenta e tantos anos, o cabelo era de um louro acinzentado, os olhos de um cinzento esverdeado, e devia ter sido lindíssima.
Naufrágio de Sepúlveda. Lisboa, Quetzal, 1988, pp. 79-80.

terça-feira, 23 de março de 2010

segunda-feira, 11 de janeiro de 2010

linhas de cascais - Teolinda Gersão


Desde que comecei a sair com o pai da Susana e a encontrar-me com ele num apartamento que um amigo lhe empresta, no Estoril, comecei a escutar às portas.
«Bilhete de avião para o Brasil«, Histórias de Ver e Andar, 3.ª edição, Lisboa, Publicações Dom Quixote, 2005, p. 133.

sábado, 21 de fevereiro de 2009

linhas de cascais - Vergílio Ferreira



Havia damas que nunca se viam na rua. Vira-as ele, Chico, fumando e bebendo no Estoril. Évora era a Queresma e Lisboa o Carnaval.

Vergílio Ferreira, Aparição, Lisboa, Editorial Verbo, 1971, p. 31.

quarta-feira, 18 de fevereiro de 2009

linhas de cascais - Assis Esperança



O paquete passa à vista de Cascais, numa manhã de sol radioso. No deck, ao lado de Rui, um grupo de ingleses prepara os kodaks; mais além, um sujeito de calva luzidia demonstra a uma senhora magrizela e empoada de rosto, que o seu guia era incompletíssimo, não assinalando, um a um, todos os pequenos aglomerados de casaria que bordam as margens do rio.

Assis Esperança, «O homem que perdeu o passado», O Dilúvio, Lisboa, Sociedade Contemporânea de Autores, 1932, p. 129.

sábado, 27 de dezembro de 2008

Uma tela e uma sinfonia para o «Cascais» de Garrett (1)

Publicado no Jornal da Costa do Sol, n.º 1550, Cascais, 22 de Janeiro de 1998.
Aos 47 anos, Almeida Garrett (1799-1854) viveu uma intensa relação amorosa com Rosa Montúfar Infante, mulher de Joaquim António Velez Barreiros (1803-1865), 1.º barão e 1.º visconde da Luz.
As cartas arrebatadas do poeta à musa, vinte anos mais nova, e o último livro Folhas Caídas (1853), trazem-nos o eco dessa paixão que teve por cenário não só os salões e os arrabaldes lisboetas, mas também estes sítios românticos dum Cascais ainda inóspito, entre o mar e a serra.
(continua)

quarta-feira, 24 de dezembro de 2008

linhas de cascais - Miguel Real


Uma noite, na nossa casa da d. João III, reuniu-se o conselho de família, um dos irmãos do Hugo viciara-se no jogo da roleta do Casino Estoril, foi severamente admoestado, não só pelo pai como, sobretudo, pelos restantes irmãos, o Hugo, que acabara de receber a autorização do pai para assinar os cheques das empresas, humilhou o irmão, ordenou que se lhe retirasse o livro de cheques, a conta particular fosse saldada e obrigado a fazer penitência pública na sinagoga, trabalhando para a comunidade de judeus pobres -- vendedores de roupa, caixeiros-viajantes, sapateiros, a maioria asquenaze; [...] alegava ele, não teria mais de dezanove anos, que, cansado de estudar e trabalhar e antevendo a entrada breve para o serviço militar, e consequente partida para a guerra, quisera divertir-se, entretivera-se durante um mês com umas francesas que veraneavam por Cascais e tivera azar, perdera dinheiro, era verdade, mas também podia ter ganho, perdera uma fortuna, mas poderia ter ganho outra -- percebi nessa noite que a pressão da família do Hugo era rigorosa e severa, que todos tinham de orientar-se para o mesmo fim, ganhar dinheiro e não dar nas vistas, o irmão do Hugo perdera dinheiro e dera nas vistas, frequentando um Casino -- este o seu pecado; o pai do Hugo fora sincero, repreendendo o filho por ter humilhado o nome da família por toda a Lisboa e Cascais, frequentando antros nocturnos [...].
O Último Minuto na Vida de S., Matosinhos, Quidnovi, 2007, p. 69.

quarta-feira, 17 de dezembro de 2008

linhas de cascais - Ferreira de Castro



-- Como eu ia a dizer, o quartel de artilharia antiaérea prantava-se mesmo à beira do mar. Viam-se passar os navios, que iam para Lisboa. Às vezes era cada um, tão grandalhão, que dentro dele ninguém podia ter medo de afundar-se. Ali perto ficava o Estoril. Tu já ouviste falar no Estoril? Aquilo é que é uma terra bonita! É como um jardim a perder de vista. Só te digo que lá até os pinheiros parecem árvores mansas! Nalguns, as roseiras trepam por eles arriba até chegar mesmo aos galhos. E todas as estradas são mais limpinhas do que o chão de uma igreja! Nas horas de dispensa, eu nunca me fartava de ver aquilo. Há lá automóveis por toda a parte e pessoas que falam o raio de umas línguas que a gente não percebe nada...
A Lã e a Neve, 15.ª edição, Lisboa, Guimarães Editores, 1990, p. 18.

sexta-feira, 11 de abril de 2008

Linhas de Cascais - José de Matos-Cruz

Em Cascais, de costas para a Cidadela e ajeitando a gravata, num auge solitário de virilidade, Rui Ruivo resistia, neurasténico, ao velório da monotonia e da cidadania.
O Infante Portugal e as Tramóias Capitais, s.l., Kafre, 2007.

segunda-feira, 19 de novembro de 2007

Sob o Signo do «Dragão da Crítica» - Romancistas, Poetas, Ensaístas e Historiadores em Cascais (4)

O Cânone Poético de Cascais

Cascais passou a ser diferente quando Almeida Garrett (1799-1854) publicou Folhas Caídas (1853). O poema «Cascais», poderosa expressão lírica do romantismo, pela intemperança, volubilidade, transgressão que encerra, veio acrescentar algo ao património cultural cascaense. Não vemos Cascais do mesmo modo depois de lermos este poema, pois a nossa relação com o espaço será inevitavelmente condicionada por ele. A composição tem assim uma dimensão ontológica que altera a percepção, a vivência, em suma a sensibilidade de quantos a lêem em face duma realidade geológica com milhões de anos, até então apreendida sempre da mesma forma pelo homem -- ou, mais rigorosamente, nunca uma estesia semelhante fora manifestada e comunicada desta maneira: «Inda ali acaba a Terra, / Mas já o céu não começa; / Que aquela visão da serra / Sumiu-se na treva espessa, / E deixou nua a bruteza / Dessa agreste natureza.» (16) Garrett, foi, portanto, uma espécie de patrono literário de Cascais, um autor citado sempre que se pretendia mostrar como «estes sítios» (outro poema de Folhas Caídas sobre o espaço cascaense) haviam sido um estímulo para um grande escritor.
Em meados so século XX, o poeta moçárabe (17) Abu Zayd 'Abd ar-Rahman ibn Muqãna (al-Qabdaqi al-Lixbuni), século XI, natural do lugar de Alqabdaq, surge como autor a (re)descobrir. Para além do interesse histórico-cultural da sua poesia -- em que encontramos «uma das mais antigas referências literárias aos moinhos de vento, situados na Europa» (18) -- trata-se também de um excelente poeta do Andaluz. Com a inauguração do monumento que o evoca, da autoria do escultor António Duarte (autor também da estátua de D. Pedro I, no coração da vila), Ibn Muqãna (ou Mucana) foi talvez o primeiro poeta -- em especial com o conhecido «Poema de Alcabideche», objecto de várias versões -- a ser incorporado na bagagem cultural do grande público, mercê também das disciplinas escolares orientadas para as realidades locais que vigoram nos programas de há algumas décadas para cá.
Em meados do anos 60 Cascais tinha dois ex-libris poéticos que ultrapassavam a condição de meras referências literárias, sendo antes dois textos canónicos absolutamente definitivos e adquiridos pela população estudantil e de média formação cultural.
Notas:
(16) Almeida GARRETT, Folhas Caídas, Mem martins, Publicações Europa-América, s.d. : 56.
(17) María de Jesus RUBIERA MATA, Ibn Muqãna de Alcabideche, 2.ª edição, Cascais, Associação Cultural de Cascais, 1996 : 7-8.
(18) Fausto do Amaral de FIGUEIREDO, «Abú Zaíde Ibne Mucana», Cascais e os Seus Lugares, n.º 20, Estoril, Junta de Turismo da Costa do Sol, 1966 : 16.
(continua)

domingo, 14 de outubro de 2007

catavento

Um catavento de Cascais, da casa que foi de João Gaspar Simões: a "Casa do Dragão".
Porque tem ela este nome, a seu tempo direi.
Foto de Guilherme Cardoso

Sob o Signo do «Dragão da Crítica» - Romancistas, Poetas, Ensaístas e Historiadores em Cascais* (1)

Por razões pouco compreensíveis, o património literário tem sido o parente pobre dos estudos de história local. (1) No caso de Cascais, essa debilidade é particularmente evidente. Os literatos que o concelho ofereceu ao país não se distinguiram pela notoriedade post mortem, apesar do brilho das suas obras e/ou personalidades, amplamente reconhecidas pelos coetâneos. José da Cunha Brochado (Cascais, 1651 -- Lisboa, 1733), por exemplo, notável diplomata e académico, memorialista e epistológrafo, foi lentamente recuperado durante o último século -- recuperação quase milagrosa, dado o estado de dispersão em que se encontra o seu acervo, em grande parte ainda inédito. José Inácio Roquete (Alcabideche, 1800 -- Santarém, 1870) -- aliás, Frei José de Nossa Senhora do Cabo Roquete, depois de professar no convento de Santo António do Estoril -- politicamente reaccionário, miguelista exilado em Londres e Paris, onde auxiliou o Visconde de Santarém no monumental Quadro Elementar (1842-1854). Autor de uma obra vasta, disse quem a compulsou ser ela um exemplo da conjugação de «beleza literária» com a «substância doutrinal». (2) Da teologia e da história à didáctica e à tradução, estará hoje quase toda irremediavelmente datada -- o que não impede que, pelo menos dum ponto de vista local, conheçamos as suas linhas de força, por exemplo através duma antologia. Trata-se de um imperativo. O mesmo se passa, de resto, com o ensaísta, poeta, professor da Faculdade de Letras do Porto e membro da «Renascença Portuguesa» (3) Luís Cardim (Cascais, 1879 -- Porto, 1958), grande mestre dos estudos shakespeareanos em Portugal, remetido para um limbo de que urge resgatá-lo. (4)

Ferreira de Andrade (Lisboa, 1910 -- Cascais, 1970), olisipógrafo emérito (5) e não menos conspícuo cascaleógrafo (!), constituiu-se como notável excepção, referenciando no Cascais -- Vila da Corte (1964) mais de 30 autores, de Ibn Mucana a Carlos Malheiro Dias, não se limitando, em alguns casos, a compilar referências, mas também a dar conta de investigação própria e publicação de fontes.

Esta comunicação algo errática pretende levantar pistas e incentivar a descoberta do patrtimónio imaterial de Cascais, produzido pelos seus naturais ou pelos que cá viveram e dessa vivência deixaram que as respectivas obras dela participasse.

(continua)


*Texto apresentado às Jornadas do Património de Cascais, no Centro Cultural de Cascais (Gandarinha), em Setembro de 2003.


Notas

(1) «São particularmente reduzidas as bibliografias sobre os patrimónios etnográfico e natural e inexistente qualquer orientação sobre o património linguístico e literário.» Jorge de ALARCÃO, Introdução ao Estudo da História e Património Locais, Coimbra, Instituto de Arqueologia / Faculdade de Letras, 1986 : 6.


(2)Pe. Miguel de OLIVEIRA, História Eclesiástica de Portugal, Mem martins, Publicações Europa-América, 1994 : 253.


(3) Alfredo Ribeiro dos SANTOS, A Renascença Portuguesa -- Um Movimento Cultural Portuense, Porto, Fundação Eng.º António de Almeida, 1990.


(4) Ricardo António ALVES, «Seis cartas de Luís Cardim a Roberto Nobre», Boca do Inferno, n.º 1, Cascais, Câmara Municipal, 1996 : 95-109.


(5) Fernando CASTELO BRANCO, Breve História da Olisipografia, Lisboa, Instituto de Cultura Portuguesa, 1980 : 65-68.

domingo, 7 de outubro de 2007

Guilherme de Faria

Faz hoje 100 anos que nasceu o poeta Guilherme de Faria
(Guimarães, 6-X-1907 -- Boca do Inferno, Cascais, 4-I-1929).
Ler aqui.
 
Golf
Golf