quinta-feira, 29 de março de 2012
Linhas de Cascais - Ferreira de Castro
segunda-feira, 26 de março de 2012
linhas de Cascais - Ferreira de Castro
Eduardo Frias e Ferreira de Castro, A Boca da Esfinge, Lisboa, Livrarias Aillaud & Bertrand, 1924.
terça-feira, 16 de novembro de 2010
poesia de cascais #22 - Teresa Zilhão
MARÉ DO GUINCHO
Em frente a presença do Atlântico.
Nele o olhar dela avança. E aí
versos fundem-se às marés. Assustam trevas.
Seus azuis-esverdeados devastam oráculos
relincham à não-existência. Dialogam
com o Deus subatómico que, numa visão esculpida
cavalga enfurecido num começo
que nunca... nunca acaba.
foto daqui
sábado, 2 de outubro de 2010
José da Cunha Brochado na Corte de Luís XIV (2)
quinta-feira, 29 de julho de 2010
linhas do horizonte - Osvaldo Alcântara (Baltazar Lopes)

segunda-feira, 5 de julho de 2010
linhas do horizonte - Alberto de Serpa

segunda-feira, 28 de junho de 2010
linhas do horizonte - Gomes Leal

segunda-feira, 14 de junho de 2010
linhas do horizonte - Jorge Barbosa

quarta-feira, 19 de maio de 2010
linhas do horizonte - Bernardo de Passos

terça-feira, 20 de abril de 2010
linhas do horizonte - João Correia Ribeiro
Amo a tranquilidade e detesto o barulho
É este o meu feitio, o meu modo de ser...
Mas sendo assim como é que eu posso conceber
O amor que tenho ao mar em que altivo mergulho?
É de noite, é de dia, é contínuo o marulho
Das ondas, da ressaca, as pedras a varrer,
Altas cristas lambendo, areias a mover,
Num eterno labor que é todo o seu orgulho!
E eu que adoro o sossego, a paz, a calmaria,
Das coisas e dos ser's, banal contradição!
Admiro horas sem fim toda esta agitação
Que o meu cérebro invade e a minha alma extasia,
Que me ergue o pensamento, a força que me anima,
Cá de baixo da Terra aos altos Céus lá cima.
sexta-feira, 23 de outubro de 2009
poesia de cascais #20 - José Jorge Letria

sábado, 2 de maio de 2009
Obrigado, T
A T, dos Dias que Voam , é sempre de grande generosidade. Já me presenteou várias vezes, tanto na Caverna como no Ferreira de Castro . Agora foi este desenho de Barker, um artista que desconheço, um dos muitos e excelentes que tem publicado. Não percam.domingo, 8 de março de 2009
poesia de cascais #12 - Fiama Hasse Pais Brandão

quarta-feira, 18 de fevereiro de 2009
linhas de cascais - Assis Esperança

O paquete passa à vista de Cascais, numa manhã de sol radioso. No deck, ao lado de Rui, um grupo de ingleses prepara os kodaks; mais além, um sujeito de calva luzidia demonstra a uma senhora magrizela e empoada de rosto, que o seu guia era incompletíssimo, não assinalando, um a um, todos os pequenos aglomerados de casaria que bordam as margens do rio.
Assis Esperança, «O homem que perdeu o passado», O Dilúvio, Lisboa, Sociedade Contemporânea de Autores, 1932, p. 129.
quarta-feira, 12 de novembro de 2008
poesia de cascais #8 - Fernando Grade

sexta-feira, 10 de outubro de 2008
linhas de cascais - Ferreira de Castro

Já no Atlântico, contornando a costa portuguesa, e, depois, a espanhola, os passageiros que vêm de Nova York entregam-se aos jornais ingleses, recém-comprados em Lisboa, reunindo-se, à noite, não em frente da orquestra, que toca, solitária, no grande salão, mas junto dos aparelhos de telefonia que espalham notícias do Mundo convulso. E, contudo, estende-se, lá fora, um luar sortílego e um mar calmo, numa noite de maravilha propícia a fazer-nos sonhar com as mais belas coisas da vida. Mas o navio está cheio dessa inquietação que, hoje, tortura os homens, no planeta inteiro.
terça-feira, 7 de outubro de 2008
linhas do horizonte - Giacomo Leopardi / Afonso de Castro

Quando o mar adormece e o vento o embala, suave,
Sinto-me percorrer mundos desconhecidos.
Já não me agrada a terra, apenas só a grave
E fluida voz da névoa atrai os meus sentidos.
Mas quando o hercúleo mar ressoa e se recurva,
Em glaucos vagalhões altos e desgrenhados,
Volto os olhos p'rá terra, a que melhor perturba
Meu ser com a magia idílica dos prados.
A terra é bem mais firme, e a floresta espessa
Enche meu coração dum calor inaudito,
Quando o maestro vento, indómito, começa
Sua orquestra, a reger, no palco do Infinito.
Uma árdua tarefa o pescador atura:
A sua casa é um barco, a sua vida é o mar.
Os peixes são p'ra ele uma presa insegura,
E a morte, a velha má, não deixa de o rondar.
Prefiro ouvir o canto errante das nascentes,
Na sombra musical da mata sonorosa,
Quando a martirizada e ruiva luz dos poentes
É a anunciação da noite sigilosa.
domingo, 14 de setembro de 2008
poesia de cascais #5 - Branquinho da Fonseca

sábado, 6 de setembro de 2008
poesia de cascais #4 - José Gomes Ferreira

sábado, 4 de agosto de 2007
Cascaliana #2 - João Sarmento Pimentel
João Maria Ferreira Sarmento Pimentel (Eixes, Mirandela, 1888 -- São Paulo, 1987).
Oficial do Exército, escritor memorialista, fidalgo republicano, Sarmento Pimentel é uma das mais apaixonantes figuras do século XX português. Oriundo da velha aristocracia nortenha, participou em alguns dos mais importantes lances da história de novecentos, com um papel de grande destaque. Não ainda na Rotunda, em 5 de Outubro de 1910, jovem cadete subordinado. Mas em 1915, na guerra de África contra os alemães, teve intervenção importante na reconquista de Naulila, sul de Angola, em 1915, comandando um destacamento luso-boer, e passa pelo inferno das trincheiras da Flandres. Em Portugal, tendo colaborado com Sidónio Pais, será o chefe das forças que põem fim à Monarquia do Norte, em Fevereiro de 1919. Membro da direcção da Seara Nova, será chefe de gabinete de Ezequiel de Campos no governo de Álvaro de Castro (1923-24). Após o 28 de Maio de 1926, está implicado no golpe do 3/7 de Fevereiro do ano seguinte, que lhe valerá o exílio, estando na origem do seu exílio no Brasil, onde deixará descendência.
Para além dos aspectos de vida intensamente vivida, Sarmento Pimentel foi um extraordinário escritor, como revelam as suas Memórias do Capitão, cuja primeira edição veio a lume no Brasil pelas mãos do então também exilado Victor Cunha Rego, em 1962. São páginas de grande riqueza estilística, saborosamente evocativas, de travo camiliano.
Num dos poemas que lhe dedicou, Jorge de Sena escreveu: «[...] / Assim, senhor, eu vos saúdo e digo / de como em vida me vivi honrado / com conhecer-vos e por vós ser tido / por digno de amigo e camarada / nas horas duras de se amar a pátria / com amor infeliz, como naquelas / em que de convivência ela renasce / tão pura qual nenhuma pátria humana: / é uma grã-cruz que vossa senhoria / colocou no meu peito e que mais vale / que quantas de vaidade só refulgem. / E pesa como séculos de História / qual em vossas memórias revive. / [...]» 40 Anos de Servidão, 2.ª ed., Lisboa, Moraes Editores, 1982, p. 180.
Dessas Memórias retiro um breve parágrafo em que, a bordo, o jovem alferes de cavalaria ruma a Angola, após o desastre de Naulila de 1914:
«Madrugamos para um último adeus à terra metropolitana, e a brisa do mar refrescou o convés ainda quente daquela noite de Junho, quando chegamos a Cascais.
Rompeu o "Cabo Verde" pelo mar fora, tão calmo e vagaroso como velho andarilho que já soubesse de cor e salteado o caminho a percorrer. Naquele dia perdemos de vista a costa e embicamos ao sul rumo da África, havendo apenas de anormal o barulho dos cascos dos solípedes no assoalho dos porões, muito aumentado quando o clarim tocou para a ração.»
Memórias do Capitão, Porto, Editorial Inova, 1974, p. 143.
Na net:Brasil/Portugal - Testemunhos/Encontros; Câmara Municipal de Mirandela














