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quinta-feira, 26 de julho de 2012

CASCAIS NO CAMPO DA «SEARA»: PROENÇA, CORTESÃO E REYS (3)

Jaime Cortesão assumira em 1919 a direcção da Biblioteca Nacional, substituindo Fidelino de Figueiredo (1889-1967), comprometido com o sidonismo, e que regressaria ao posto, por breve período embora,com o 28 de Maio, e em ruptura com os mais proeminentes elementos daquela instituição: Raul Proença, chefe da Divisão dos Serviços Técnicos, Aquilino Ribeiro (1885-1963), segundo-bibliotecário, e ainda Alexandre Vieira (1884-1973), chefe dos Serviços Gráficos, vindo a desempenhar as funções de secretário-geral da CGT e director de A Batalha.

Sol XXI # 29/30/31, Carcavelos, 1999. 

o «Grupo da Biblioteca»: Jaime Cortesão, Aquilino Ribeiro, Raul Brandão (sentados);
Faria de Vasconcelos, Raul Proença e Câmara Reys

terça-feira, 19 de junho de 2012

JOSÉ DA CUNHA BROCHADO NA CORTE DE LUÍS XIV (3)

Formado em Leis pela Universidade de Coimbra, juiz do Cível e do Desembargo do Paço, fundador e presidente da Academia Real da História Portuguesa, criada por D. João V, fidalgo da Casa Real, cavaleiro da Ordem de Cristo, chanceler das ordens militares, membro do Conselho do «Magnânimo», do Conselho da Rainha D. Maria Ana de  Áustria (pertencera já ao Conselho da Fazenda no reinado de D. Pedro II), enviado extraordinário da Coroa portuguesa às cortes de Paris, Londres e Madrid, Brochado pertence à estirpe notável de um Duarte Ribeiro de Macedo (1618-1680), um Diogo de Mendonça Corte-Real (1662-1749), um Alexandre de Gusmão (1695-1753), homens simultaneamente de pensamento e acção política em que o período foi fértil, e que na esteira de António Sérgio e Jaime Cortesão costumamos designar por estrangeirados.

José da Cunha Brochado na Corte de Luís XIV, Cascais, edição minha, 1999.

(imagem

quinta-feira, 19 de abril de 2012

Um escândalo póstumo -- A candidatura de Fernando Pessoa ao lugar de conservador do Museu-Biblioteca Condes de Castro Guimarães (4)

Em 1927 dera-se algo de novo no panorama literário português, que João Gaspar Simões reputou -- e com justeza, embora ele estivesse sendo juiz em causa própria (4) -- de essencial para que Pessoa encarasse de uma forma nova o seu destino literário e -- por consequência -- pessoal. Em 10 de Março desse ano surgia a presença -- folha de arte e crítica, dirigida por José Régio (1901-1969), Branquinho da Fonseca (1905-1974) e Gaspar Simões (1903-1987). E no manifesto de abertura, para uma «literatura viva», assinado pelo autor dos Poemas de Deus e do Diabo, já estava presente o lugar do futuro autor da Mensagem no seio da segunda geração modernista. Proclamava-se:


«Literatura viva é aquela em que o artista insuflou a sua própria vida, e que por isso                 mesmo passa a viver de vida própria. Sendo esse artista um homem superior pela sensibilidade, pela inteligência e pela imaginação, a literatura viva que ele produza será superior; inacessível, portanto, às condições do tempo e do espaço. E é apenas por isto que os autos de Gil Vicente são espantosamente vivos, e as comédias de Sá de Miranda irremediavelmente mortas; que todos os livros de Judith Teixeira não valem uma canção escolhida de António Botto; que os sonetos de Camões são maravilhosos, e os de António Ferreira maçadores; que um pequeno prefácio de Fernando Pessoa diz mais que um grande artigo de Fidelino de Figueiredo; que há mais força íntima em catorze versos de Antero que num poemeto de Junqueiro; e que é mais belo um adágio popular do que uma frase de literato.» (5)

(4) Ibidem, pp. 98-99.
(5) José Régio, «Literatura viva», presença #1, Coimbra, 10 de Março de 1927, ed. facsimilada, vol. I, Lisboa, Contexto, 1993.


Sol XXI #24, Carcavelos, Março de 1998, p. 9.

terça-feira, 10 de abril de 2012

Três escritores em tempo de catástrofe: Castro, Zweig e Eliade (4)

Escritor que se fez a si próprio, foi no Brasil que Ferreira de Castro se auto-revelou, no meio adverso de um seringal da Amazónia, entre 1911 e 1914. Será, contudo, em Belém, capital do estado paraense, que vivia ainda sob os efeitos da ressaca de uma rubber-rush -- onde permaneceu até 1919, ano do regresso a Portugal --, que o jovem literato, entretanto trabalhando na imprensa local, editará os seus dois livros iniciais (Criminoso por Ambição e Alma Lusitana, ambos de 1916). Na Biblioteca Pública da cidade, bem fornecida de literatura portuguesa e francesa, Castro tomará contacto, pela primeira vez, na maioria dos casos, com os grandes escritores das duas línguas (2), muitos dos quais permanecerão como referências sua. Falamos, naturalmente, de Zola (1840-1902), mas também de Balzac (1799-1854) e Victor Hugo (1802-1885) ou Camilo (1825-1890) e Eça (1845-1900).



(2) Ver Bernard Emery, L'Humanisme Luso-Tropical selon José Maria Ferreira de Castro, Grenoble, Ellug, 1992, pp. 120-121; id., «Ferreira de Castro et la culture française», Miscelânea sobre José Maria Ferreira de Castro, Grenoble, Centre de Recherche et d'Études Lusophones et Intertropicales, 1994, pp. 53-65.


Boca do Inferno #3, Cascais, Câmara Municipal, 1998, pp. 92-93.

(também aqui)

sábado, 17 de março de 2012

Eça e os Vencidos da Vida em Cascais (1)

Vencidos em Cascais
[epígrafe:] Clamamos por aí, em botequins e livros, "que o país é uma choldra". Mas que diabo! Porque é que não trabalhamos para o refundir ao nosso gosto e pelo molde perfeito das nossas ideias?... Vossa Excelência não conhece este país, minha senhora. É admirável! É uma pouca de cera inerte de primeira qualidade. A questão toda está em quem a trabalha. Até aqui, a cera tem estado em mãos brutas, banais, toscas, reles, rotineiras... É necessário pô-la em mãos de artistas, nas nossas. Vamos fazer disto um bijou!...
                                                Eça de Queirós, Os Maias (1888)

Paço de Cascais, 19 de Outubro de 1889. D. Luís I morre na Cidadela. O príncipe D. Carlos sobe ao trono, e com ele a esperança de um grupo que não se revê num sistema político hegemonizado por dois partidos que alternam no Governo e detêm em simultâneo o controlo do estado.

Eça e os Vencidos da Vida em Cascais, Cascais, Câmara Municipal, 1998.



sábado, 3 de março de 2012

Uma tela e uma sinfonia para o «Cascais» de Garrett (4)

O visconde da Luz gostava da vila, e por cá se demorava. À sua acção, enquanto director das obras Públicas, ficou a dever-se a abertura da velha estrada para Oeiras, via que, mais tarde, Pedro Borges Barruncho, nos Apontamentos para a Historia da Villa e Concelho de Cascaes (Lisboa, 1873), considerou ter tido como consequência a «regeneração de Cascais». Em 1863, ainda se não instituíra o hábito da vinda da corte a banhos, Barreiros edificou a sua casa no Alto da Bela Vista, cuja fotografia foi publicada por Guilherme Cardoso no Cascais Passado a Preto e Branco (Cascais, Associação Cultural de Cascais, s.d.).

segunda-feira, 20 de fevereiro de 2012

A. Fontoura da Costa: Um capitão de longo curso na História dos Descobrimentos (3)

O capitão-de-mar-e-guerra Abel Fontoura da Costa (Alpiarça, 1869 -- São Pedro do Estoril, 1940) pertenceu à plêiade de oficiais de marinha que legou à historiografia dos Descobrimentos e Expansão Portuguesa obras de inestimável valor e, décadas passadas sobre a sua concepção, ainda hoje de grande utilidade. lembremos Brás de Oliveira (1851-1917), Baldaque da Silva (1852-1915), Henrique Lopes de Mendonça (1856-1931), Quirino da Fonseca (1868-1939), Gago Coutinho (1869-1959) e, mais recentemente, A. Teixeira da Mota (1920-1982). (2)

(2) Ver súmula in Alfredo Pinheiro Marques, A Historiografia dos Descobrimentos e da Expansão Portuguesa, Coimbra, Livraria Minerva, 1991.

Roteiro da exposição, «A. Fontoura da Costa e a Marinharia dos Descobrimentos», Museu do Mar, Cascais, Câmara Municipal, 1997 (policopiado).

quarta-feira, 1 de fevereiro de 2012

A memória em papel selado (1)

Costumamos ser assim: lamentamos o que não foi feito e o que se fez; esconjuramos os erros de que outros foram fautores no passado, mas repetimo-los, de certeza, no futuro. E nesta vocação carpideira persistimos alegremente.

Nota sobre Fernando Pessoa -- A Biblioteca Impossível (Cascais, 1995), Arquivo de Cascais -- Boletim Cultural do Município, Cascais, Câmara Municipal, 1996.

terça-feira, 31 de janeiro de 2012

Sete Cartas de Luís Cardim a Roberto Nobre (4)

Ao contrário daquele que foi o mais celebrado crítico de cinema do seu tempo, a posição de Cardim é mais prudente. Decerto, não deixa de tecer elogios ao filme, à probidade do realizador, notando «o estudioso cuidado com que ele se preparou -- como aliás lhe cumpria -- para o alto cometimento, lendo, evidentemente, o que de melhor se tem escrito sobre o assunto [...]» (2)

Luís Cardim, Os Problemas do «Hamlet», p. 85.

(postado também aqui)

quarta-feira, 26 de outubro de 2011

poesia de cascais #24 - Ricardo António Alves (em letra & foto)










OUVINDO WAYNE SHORTER, DE PÉ

O Parque rebenta pelas costuras.
 
Alegría.
 
De joelhos e de cócoras,
as fotógrafas procuram ângulo.
 
Alegría.
 
Waine despeja notas
com ar de executivo em férias.
 
Alegría.
 
Engasgado o soprano,
a secção rítmica arranca
nos inesperadas flexões
de joelhos. De joelhos
as fotógrafas continuam
à procura do melhor ângulo.
 
Alegría.
 
O tempo estava incerto.
Chuva no final do concerto.

domingo, 17 de outubro de 2010

Cascais no campo da «Seara»: Proença, Cortesão e Reys (2)

Quando no princípio dos anos vinte um grupo de intelectuais resolveu criar uma revista doutrinária independente, em defesa da República -- mas pugnando pela sua reforma --, o país vivia num assustador clima de perturbação. Ao assassínio de Sidónio e às perplexidades de um inglório desfecho da Grande Guerra, seguiu-se não só um período de instabilidade, como de radicalização da vida política. A um monárquico na Presidência, Canto e Castro -- não obstante o escrupuloso cumprimento do seu juramento --, sucedeu a última bandeira do 5 de Outubro, António José de Almeida. Temperanças de um e outro foram, porém, insuficientes para travar desmandos como a leva da morte (1918) ou a noite sangrenta (1921), tentativas restauracionistas como a Monarquia do Norte (1919), pulverização e descrédito dos partidos e dirigentes tradicionais, ressurgimento activo dos extremos, pela via doutrinária e pela acção directa -- os anarco-sindicalistas da Confederação Geral do Trabalho (CGT), cujo órgão era o diário A Batalha; a persistência do Integralismo Lusitano, movimento tradicionalista monárquico e antidemocrático, que se exprimia na Nação Portuguesa. (4)

(4) Sobre o contexto sócio-político em que surgiu a publicação, socorri-me da entra de David Ferreira, «SEARA NOVA», in Joel Serrão (dir.), Dicionário de História de Portugal, vol. V, Porto, Livraria Figueirinhas, pp. 503-508.

Sol XXI, #29-30-31, Carcavelos, Junho/Setº/Dezº de 1999. 

domingo, 10 de outubro de 2010

A. Fontoura da Costa: Um capitão de longo curso na História dos Descobrimentos (2)

Pretende-se, desta forma, dar o merecido destaque, no âmbito municipal, ao autor de A Marinharia dos Descobrimentos, figura que pertence ao património cultural cascaense, pois tão ou mais importante é o lugar onde se nasce como aquele que se escolhe para viver e para morrer.
in A. Fontoura da Costa e a Marinharia dos Descobrimentos -- Exposição Bibliográfica e Documental, Cascais, Museu do Mar, 1997.

sábado, 2 de outubro de 2010

José da Cunha Brochado na Corte de Luís XIV (2)

É provável que seu pai desempenhasse à época funções na fortaleza da vila. Certo é que um século depois a sua família continuava radicada em Cascais (3), povoação que na segunda década de seiscentos contava com cerca de 900 vizinhos, de acordo com Frei Nicolau de Oliveira no Livro das Grandezas de Lisboa (1620). (4) O carácter defensivo de Cascais foi referido por vários autores coevos -- Luís Mendes de Vasconcelos nos Diálogos do Sítio de Lisboa (1608), Duarte Nunes de Leão na Descrição do Reino de Portugal (1610), Manuel Severim de Faria nos Discursos Vários Políticos (1624) (5) -- surgindo-nos essa componente defensiva expressivamente demonstrada numa gravura seiscentista alemã (6), e também referida por um autor francês, em 1676-77: «Um pouco mais adiante encontra-se a pequena vila de Cascais, defrontando uma pequena baía onde os navios podem fundear. Também ali existe um forte bem apetrechado para a defesa.» (7) 
Foi neste lugar fortemente muralhado que José da Cinha Brochado veio ao mundo, perto do mar imenso, que ele muitos anos depois qualificaria desta forma: «O mar, elemento nobre e inconstante, que só é confrontado pelas estrelas e medido no céu, consente hóspedes, mas não senhores.» (8)

(3) Ver Ferreira de Andrade,  Cascais -- Vila da Corte. Oito Séculos de História , edição fac-similada [1964], Cascais, Câmara Municipal, 1990, pp. 167-168.
(4) Ver José d'Encarnação, «Um elogio político: cascais visto por Frei Nicolau de Oliveira», Arquivo de cascais -- Boletim Cultural do Município #6, Cascais, Câmara Municipal, 1987, pp. 92-93.
(5) Ver ibidem, pp. 92-93.
(6)  Ver João J. Alves Dias, «Para a história da iconografia de Cascais», Arquivo de Cascais -- Boletim Cultural do Município #11, Cascais, Câmara Municipal, 1992-94, p. 99.
(7) Charles Dellon, «De Goa a Lisboa -- 1676-1677», in Portugal nos Séculos XVII & XVIII, apresentação, tradução e notas de Castelo-Branco Chaves, Lisboa, Lisóptima  Edições, p. 31. 
(8) José da Cunha Brochado, Cartas, selecção, prefácio e notas de António Álvaro Dória, Lisboa, Livraria Sá da Costa Editora, 1944, p. 145 -- carta a desconhecido, Paris, 16 de Abril de 1702. 

domingo, 12 de setembro de 2010

Um escândalo póstumo a candidatura de Fernando pessoa ao lugar de conservador do Museu-Biblioteca Condes de Castro Guimarães (3)

Havia pouco, fora mal sucedido na candidatura ao lugar de conservador do Museu-Biblioteca dos Condes de Castro Guimarães.

As motivações

A obra de Fernando Pessoa persistia dispersa por várias publicações, não havendo o corpus indispensável que a tornasse acessível a um público mais vasto, impedido, assim, de conhecer a singularidade de um poeta que se desdobrava, para já, em quatro.
in Sol XXI #24, Carcavelos, Março de 1998.

terça-feira, 24 de agosto de 2010

Três escritores em tempo de catástrofe: Castro, Zweig e Eliade (3)

Internacionalista, o autor de A Selva justificava de modo forçosamente subjectivo o apelo da terra natal, sentimento susceptível de causar algum desconforto a quem era avesso a exclusivismos e exaltações nacionalistas, mesmo quando reduzidas à expressão mais simples e primária do bairrismo.
A razão do desvelo para com a pobre aldeia que o viu nascer, onde conheceu a orfandade paterna aos oito anos, e que o obrigou a emigrar, só, aos onze, prendia-se com a recordação de uma infância mítica, de felicidade inventada. Assim o revelou, no fim da vida, num conjunto de textos que constituem uma espécie de testamento literário e político:
«O homem ama na terra natal os seus hábitos, se ali reside ou residiu muito tempo; ama a sua casa e o seu agro, se os tem; e ama, sobretudo, a sua infância, que lhe comandará a vida inteira e se amalgama com o drama biológico do envelhecimento e da morte. Ama esse período da sua existência por saber que jamais voltará a vivê-lo; e essa certeza de irrecuperabilidade embeleza-lhe o cenário e valoriza-lhe os anos infantis, mesmo se neles conheceu a miséria, os trabalhos prematuros, as opressões e as humilhações impostas pelos adultos.» (1)

(1) Ferreira de Castro, «A aldeia nativa», Os Fragmentos (Um Romance e Algumas Evocações), Lisboa, Guimarães & C.ª [Editores], 1974, p. 45.

Boca do Inferno, #3, Cascais, Câmara Municipal, 1998, p. 92.
postado também aqui

sábado, 17 de julho de 2010

Uma tela e uma sinfonia para o «Cascais» de Garrett (3)

Ao contrário, porém, do que seria de esperar, as relações relativamente próximas entre Garrett e Barreiros -- oficial do exército chegado a Saldanha, tendo travado conhecimento com o poeta quando do desembarque do Mindelo -- não foram, ao que parece, afectadas pela infidelidade da viscondessa da Luz. Prova-o a correspondência trocada entre ambos, datada de 1851, sobre assuntos de mútuo interesse, cujos excertos foram recentemente revelados por José Calvet de Magalhães na excelente biografia Garrett -- A Vida Ardente de um Romântico (Lisboa, Bertrand, 1996/.

Jornal da Costa do Sol, #1550, Cascais, 22 de Janeiro de 1998, p. 14.

quarta-feira, 9 de junho de 2010

Sete Cartas de Luís Cardim a Roberto Nobre (3)

A película fora já distinguida com o Leão de Ouro do Festival de Veneza e prémio para a melhor actriz -- Jean Simmons no papel de Ofélia --, e tambem com os Óscares para a melhor produção e melhor actor -- Laurence Olivier, no papel de Hamlet.

«Sete Cartas de Luís Cardim a Roberto Nobre», Boca do Inferno, #1, Cascais, Câmara Municipal, 1996, pp. 95-96.

Também aqui.

terça-feira, 6 de outubro de 2009

Cascais no Campo da »Seara»: Proença, Cortesão e Reys (1)

A Bernard Emery
«Só há uma maneira de ter
cultura -- é fazê-la»
Raul Proença (1)
«Venho de percorrer muitos dos
caminhos do mundo.
Mas, através de hesitações e quedas,
sempre a luz me bateu de frente
no rosto. Já me sacrifiquei pelos
homens todos, pela beleza da
vida. Posso falar.» (2)
1. A Seara Nova: ou o patriotismo emergente do lodo
Cascais e o Estoril mereceram algumas linhas a três membros proeminentes da Seara Nova, que se constituíram ao mesmo tempo como «comissão política» da publicação. Raul Proença (1884-1941), Jaime Cortesão (1884-1960) e Câmara Reys (1885-1961). O primeiro, nas páginas do Guia de Portugal; o segundo, numa crónica ao seu melhor estilo épico; o último, numa obscura e para nós inexplicável edição de autor, ilustrada por Carlos Botelho. Motivos mais do que suficientes para sobre eles (textos e autores) nos debruçarmos brevemente, dando sequência a uma tentativa de levantamento do património literário cascaense.
(1) Apud José Rodrigues Miguéis, Uma Flor na Campa de Raul Proença, Lisboa, Bilbioteca Nacional, 1985, p. 21.
(2) «Cartas à Mocidade.I -- Queres ser um homem?», Seara Nova, n.º 3, Lisboa, 20 de Novembro de 1921, in Sottomayor Cardia (ed.), Seara Nova. Antologia. Pela Reforma da República, 1921-1926, vol. II, Lisboa, Seara Nova, 1972, p. 151.
Sol XXI, n.º 29-30-31, Carcavelos, Jun./Set./Dez. de 1999, p. 96.

quinta-feira, 10 de setembro de 2009

José da Cunha Brochado na Corte de Luís XIV (1)

«Os senhores da nossa terra cuidam que tudo
se obra por interesse para haver despachos e
mercês, e nada por fineza e inclinação natural
de brio e honra.»

José da Cunha Brochado
Carta a desconhecido
21 de Agosto de 1701

Nascido em Cascais, em 2 de Abril de 1651 (1), filho de António da Cunha da Fonseca, governador do castelo de São Jorge, e de Joana Quental -- cuja possibilidade de parentela como oratoriano Frei Bartolomeu do Quental, remoto antepassado de Antero, foi alvitrada por António Álvaro Dória (2) --, José da Cunha Brochado surge-nos como uma das mais proeminentes figuras dos séculos XVII e XVIII em Portugal, pela qualidade do legado epistolográfico e pelo brilho com que serviu o seu país enquanto diplomata, quase sempre em circunstâncias adversas.

(1) Segundo J. Sousa Mendes*, na introdução a José da Cunha BROCHADO, «Anedotas e Memórias da Corte de França» [1952-57] (Vértice, vol. XII, n.º 107, Coimbra, Julho de 1952, p. 356), faleceu em Lisboa, em 1735; informação diferente -- m. Sintra, 1733 -- dá-nos José Calvet de Magalhães, «José da Cunha Brochado (1651-1733)», Boca do Inferno, n.º 2, Cascais, Câmara Municipal, 1997, p. 161.

(2) António Álvaro Dória, prefácio a José da Cunha Brochado, Cartas, Lisboa, Lisboa, Livraria Sà da Costa Editora, 1944, p. VII.

*Pseudónimo do historiador Luís de Albuquerque.

José da Cunha Brochado na Corte de Luís XIV, Cascais, edição do autor, 1999, p. 7.

(continua)

 
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