
domingo, 31 de maio de 2009
poesia de cascais #16 - Jorge de Sena

domingo, 24 de maio de 2009
Branquinho da Fonseca (Mortágua, 1905 - Malveira da Serra, 1974) - O BARÃO (1942)

Não gosto de viajar. Mas sou inspector das escolas de instrução primária e tenho obrigação de correr constantemente todo o país. Ando no caminho da bela aventura, da sensação nova e feliz, como um cavaleiro andante. Na verdade lembro-me de alguns momentos agradáveis, de que tenho saudades, e espero ainda encontrar outros que me deixem novas saudades. É uma instabilidade de eterna juventude, com perspectivas e horizontes sempre novos. Mas não gosto de viajar. Talvez só por ser uma obrigação e as obrigações não darem prazer. Entusiasmo-me com a beleza das paisagens, que valem como pessoas, e tive já uma grande curiosidade pelos tipos rácicos, pelos costumes, e pela diferença de mentalidade do povo de região para região. Num país tão pequeno, é estranhável tal diversidade. Porém não sou etnógrafo, nem folclorista, nem estudioso de nenhum desses aspectos e logo me desinteresso. Seja pelo que for, não gosto de viajar. Já pensei em pedir a demissão. Mas é difícil arranjar outro emprego equivalente a este nos vencimentos. Ganho dois mil escudos e tenho passe nos comboios, além das ajudas de custo. Como vivo sozinho, é suficiente para as minhas necessidades. Posso fazer algumas economias e, durante o mês de licença que o Ministério me dá todos os anos, poderia ir ao estrangeiro. Mas não vou. Não posso. Durante esse mês quero estar quieto, parado, preciso de estar o mais parado possível. Acordar todas essas trinta manhãs no meu quarto! Ver durante trinta dias seguidos a mesma rua! Ir ao mesmo café, encontrar as mesmas pessoas!... Se soubessem como é bom! Como dá uma calma interior e como as ideias adquirem continuidade e nitidez! Para pensar bem é preciso estar quieto. Talvez depois também cansasse, mas a Natureza exige certa monotonia. As árvores não podem mexer-se. E os animais só por necessidade física, de alimento ou de clima, devem sair da sua região. Acerca disto tenho ideias claras e uma experiência definitiva. É até, talvez, a única coisa sobre que tenho ideias firmes e uma experiência suficiente. Mas não vou filosofar; vou contar a minha viagem à serra do Barroso.
O Barão, 4.ª edição, Lisboa, Portugália Editora, s. d., pp. 9-12.
sábado, 2 de maio de 2009
Obrigado, T
A T, dos Dias que Voam , é sempre de grande generosidade. Já me presenteou várias vezes, tanto na Caverna como no Ferreira de Castro . Agora foi este desenho de Barker, um artista que desconheço, um dos muitos e excelentes que tem publicado. Não percam.domingo, 19 de abril de 2009
poesia de cascais #15 - Mário Avelar

Lucas 1.26. Ao sexto mês, o anjo Gabriel foi
enviado por Deus a uma cidade da Galileia
chamada Nazaré... A caixa de música
Luís Cardim (Cascais, 1879 - Porto, 1958), PROJECÇÃO DE CAMÕES NAS LETRAS INGLESAS (1940)
sexta-feira, 17 de abril de 2009
Bernardino Machado na Cidadela
No blogue dedicado a Bernardino Machado, de Manuel Sá-Marquesterça-feira, 14 de abril de 2009
Almada Negreiros, MATERNIDADE (1948)
-- Nos desenhos da Maternidade, o menino transforma-se num pássaro, num mosquito, numa coisa, desfeito em brinquedo nas mãos da mãe. No fim já é só um frangalho.
quinta-feira, 9 de abril de 2009
poesia de cascais #14 - António Graça de Abreu

sexta-feira, 27 de março de 2009
domingo, 22 de março de 2009
poesia de cascais #13 - Jorge Marcel
por nascido em Cascais ser mais respeitador
você que tem olho para o brilho do brunido
nunca notou o inconfundiveloso ar
com que os testas-coroados esvoaçam a baía?
não lhe chegariam a si os dedos
das suas quatro curtas proletárias extremidades
para atingir o número de avenidas
que na sua simpática vila têm
nome de rei ou arquiduque-passa
graças a deus que os seus camariosos
têm sido ao presente bem nascida
e não se dimentique
tivesse o yacht areado noutra areia
anadaria agora o poeta aos polvos
sem aprender a usar gravata-laço
senhor poeta desculpe mas deveria
ser no que escreve um ponto menos grosseirote
ser mais à reverência e não causar
com o seu verso francamente vil, baixote
à hora do almoço do exílio ao domicílio
tanto alvoroço tanto quezílio tanto embaraço
sábado, 14 de março de 2009
A. FONTOURA DA COSTA (Alpiarça, 1869 - Cai-Água / S. Pedro do Estoril, 1940) - A EVOLUÇÃO DA PILOTAGEM EM PORTUGAL (1931)
Discurso lido na sessão inaugural da abertura das aulas da Escola Naval, no dia 11 de Outubro de 1930. domingo, 8 de março de 2009
poesia de cascais #12 - Fiama Hasse Pais Brandão

terça-feira, 24 de fevereiro de 2009
JOSÉ DA CUNHA BROCHADO (Cascais, 1651 - Lisboa, 1733) - "Embaixador mesquinho"
Resolvendo a Rainha D. Catarina voltar para Portugal depois da última revolução de Inglaterra mandou El-Rei o Conde de Pontevel para a conduzir em qualidade de Embaixador a quem deu grossas ajudas de custo. Partiu ele de Lisboa, e segundo dizem com muito pobre equipagem, e de nenhum modo em grande Senhor. Chegando a Orleães encontrou a Manuel Dias, Capelão da Rainha, que trazia ordem para o fazer voltar para Portugal, por quanto S. Mag.de não podia por então sair de Inglaterra a que o Conde replicou, que ele havia de fazer a sua jornada, e dela não havia de desistir sem ordem do seu Rei. Instou o Padre com as mais fortes razões, que pôde, mostrando uma carta expressa da Rainha, e sendo esta circunstância notavelmente diversificante do estado das cousas, e que ele ao menos devia fazer presente ao seu Príncipe para com a sua resolução continuar a jornada, ou voltar-se, nada obrou, e porfiosamente propôs segui-la, dando a entender que não queria perder a jóia, e utilidades, que esperava tirar desta função. [...]
sábado, 21 de fevereiro de 2009
linhas de cascais - Vergílio Ferreira

Havia damas que nunca se viam na rua. Vira-as ele, Chico, fumando e bebendo no Estoril. Évora era a Queresma e Lisboa o Carnaval.
Vergílio Ferreira, Aparição, Lisboa, Editorial Verbo, 1971, p. 31.
Pessoa em Bicesse
-- O quadro do Fernando Pessoa foi feito aqui em Bicesse, no atelier do pinhal, não foi?-- Foi.
Maria José Almada Negreiros, Conversas com Sarah Affonso, 2.ª edição, Lisboa, O Jornal, 1985, p. 82.
quarta-feira, 18 de fevereiro de 2009
linhas de cascais - Assis Esperança

O paquete passa à vista de Cascais, numa manhã de sol radioso. No deck, ao lado de Rui, um grupo de ingleses prepara os kodaks; mais além, um sujeito de calva luzidia demonstra a uma senhora magrizela e empoada de rosto, que o seu guia era incompletíssimo, não assinalando, um a um, todos os pequenos aglomerados de casaria que bordam as margens do rio.
Assis Esperança, «O homem que perdeu o passado», O Dilúvio, Lisboa, Sociedade Contemporânea de Autores, 1932, p. 129.
sábado, 14 de fevereiro de 2009
Um escândalo póstumo - A candidatura de Fernando Pessoa ao lugar de conservador do Museu-Biblioteca Condes de Castro Guimarães (1)

domingo, 8 de fevereiro de 2009
poesia de cascais #11 - Vasco Graça Moura

domingo, 18 de janeiro de 2009
poesia de cascais #10 - Levi Condinho
quinta-feira, 1 de janeiro de 2009
Cascais pintado
Alfredo Keil, Fitando o Mar Largo, Peninha










