quinta-feira, 2 de julho de 2009

A. H. de Oliveira Marques (Cai-Água / S. Pedro do Estoril, 1933 - Lisboa, 2007) -- HANSA E PORTUGAL NA IDADE MÉDIA (1959)

Palavras de agradecimento

Seria difícil agradecer a todos aqiueles que nos auxiliaram na execução e conclusão deste trabalho, que fornecendo-nos elementos bibliográficos ou arquivísticos, quer sugerindo-nos hipóteses ou modificações, quer ainda ajudando-nos, por um incitamento, uma palavra amiga, um simples testemunho de apoio moral.

Hansa e Portugal na Idade Média, 2.ª edição, Lisboa, Editorial Presença, 1993, p. 9.

segunda-feira, 29 de junho de 2009

poesia de cascais #17 - Fernando Grade



LUTÉCIA OU LUTH NO OUTRO VENTO DO GUINCHO
(Arte Maior)

«Não é justo antepor à sabedoria a mera força corpórea.»
(Xenófanes de Cólofon)


No fogo dos nervos, ao ranger dos ventos,
Todos os rostos são de palha em plena tarde:
Os olhos de malva ficaram cinzentos;
E o que foi gaivota torna-se leopardo.

«Queima os pulsos, foge de noite, ou esquece-a...»
-- Ouço uma voz lenta, ao longe nos sargaços.
Mas no sangue sinto a boca de Lutécia,
No bojo do seu corpo tenho os meus braços.

Como escapar (rápido) à fúria da foca?...
Pego em pedras, não, rasgo-lhe o púbis, cego-a,
Dispo-a, brutal, sim, com facas na boca.

Nos beijos fumados entre o lince e a égua,
Os olhos malvinos são (de novo) balas
-- E o nojo de Luth vai dentro das malas.

domingo, 21 de junho de 2009

Sete cartas de Luís Cardim a Roberto Nobre (2)

Esta crítica foi causa próxima de um ensaio de Luís Cardim, publicado também na Seara, durante cinco números, entre 16 de Abril e 24 de Maio desse ano, sob o titulo «É o Hamlet representável?», posteriormente editado em volume, ligeiramente aumentado e com outro título: Os Problemas do «Hamlet» e as suas dificuldades cénicas. (A propósito do filme de Sir Laurence Olivier), Seara Nova, Lisboa, 1949 -- facto que a publicação anuncia em manchete (manchete ao estilo da Seara, claro está...), saudando o autor: «incontestavelmente a nossa primeira autoridade em língua e literatura inglesa, como o Dr. Paulo Quintela o é para a língua e literatura alemã.» (1)
(1) 25 de Junho de 1949.

Boca do Inferno, n.º 1, Cascais, Câmara Municipal, 1996, p. 95.
Postado também no Ferreira de Castro.
(continua)

quinta-feira, 11 de junho de 2009

Fernando Lopes-Graça (Tomar, 1906 - Parede, 1994), SOBRE A EVOLUÇÃO DAS FORMAS MUSICAIS (1940)



PREFÁCIO DA 2.ª EDIÇÃO
Publicado pela primeira vez faz dezanove anos, este livrinho teve a fortuna de ser bem acolhido tanto em Portugal como no Brasil, e há muito se achava esgotado. A ideia do seu editor de o reiprimir corresponde a uma penhorante solicitação do público. O autor achou conveniente fazer, não uma refundição, mas uma revisão do seu trabalho, expurgando-o de alguns erros, de certas imprecisões na exposição, e acrescentando-lhe, por outro lado, meia dúzia de linhas sobre os novíssimos aspectos que a matéria versada reveste. Uma sumária e talvez útil Bibliografia completa o ensaio -- título porventura ambicioso para um escrito que não pretende à originalidade, mas visa sobretudo um fim pedagógico.
Lisboa, Maio de 1959
F.L.G.
INTRODUÇÃO:
CONSIDERAÇÕES GERAIS
De todas as ideias filosóficas modernas, uma das mais espalhadas, mas também das mais perigosas, pelo seu abusivo emprego, é sem dúvida a de progresso. Justa e plenamente aceitável quando se trate das conquistas materiais e mesmo das relações sociais do homem, é todavia de melindrosíssimo uso quando aplicada às coisas do espírito e, mormente, à Arte.
Fernando Lopes-Graça, Sobre a Evolução das Formas Musicias, 2.ª edição, Lisboa, Editorial Inquérito, 1959, pp. 9/11.

domingo, 31 de maio de 2009

poesia de cascais #16 - Jorge de Sena


«SOPHIA DA MONARQUIA...»

Sophia da monarquia,
sofia republicana,
recebi a antologia,
corrigida e ampliada,
com sua dedicatória
de antiga amizade grada,
em que me anotas a história
e para a História registas
que em Creta tu te banhaste
no esplendor da maresia,
com o meu velho Minotauro..
Em Creta, com o Minotauro,
por onde andamos, Sophia!
Que outros poetas se banhem
em Estorises e Cascáises
de água turva lusitana.
A nós as ilhas da Grécia!
A nós a fonte do dia!
A nós o leite que mana
de ser-se sofia e Sophia!

13/10/1970

domingo, 24 de maio de 2009

Branquinho da Fonseca (Mortágua, 1905 - Malveira da Serra, 1974) - O BARÃO (1942)



Não gosto de viajar. Mas sou inspector das escolas de instrução primária e tenho obrigação de correr constantemente todo o país. Ando no caminho da bela aventura, da sensação nova e feliz, como um cavaleiro andante. Na verdade lembro-me de alguns momentos agradáveis, de que tenho saudades, e espero ainda encontrar outros que me deixem novas saudades. É uma instabilidade de eterna juventude, com perspectivas e horizontes sempre novos. Mas não gosto de viajar. Talvez só por ser uma obrigação e as obrigações não darem prazer. Entusiasmo-me com a beleza das paisagens, que valem como pessoas, e tive já uma grande curiosidade pelos tipos rácicos, pelos costumes, e pela diferença de mentalidade do povo de região para região. Num país tão pequeno, é estranhável tal diversidade. Porém não sou etnógrafo, nem folclorista, nem estudioso de nenhum desses aspectos e logo me desinteresso. Seja pelo que for, não gosto de viajar. Já pensei em pedir a demissão. Mas é difícil arranjar outro emprego equivalente a este nos vencimentos. Ganho dois mil escudos e tenho passe nos comboios, além das ajudas de custo. Como vivo sozinho, é suficiente para as minhas necessidades. Posso fazer algumas economias e, durante o mês de licença que o Ministério me dá todos os anos, poderia ir ao estrangeiro. Mas não vou. Não posso. Durante esse mês quero estar quieto, parado, preciso de estar o mais parado possível. Acordar todas essas trinta manhãs no meu quarto! Ver durante trinta dias seguidos a mesma rua! Ir ao mesmo café, encontrar as mesmas pessoas!... Se soubessem como é bom! Como dá uma calma interior e como as ideias adquirem continuidade e nitidez! Para pensar bem é preciso estar quieto. Talvez depois também cansasse, mas a Natureza exige certa monotonia. As árvores não podem mexer-se. E os animais só por necessidade física, de alimento ou de clima, devem sair da sua região. Acerca disto tenho ideias claras e uma experiência definitiva. É até, talvez, a única coisa sobre que tenho ideias firmes e uma experiência suficiente. Mas não vou filosofar; vou contar a minha viagem à serra do Barroso.

O Barão, 4.ª edição, Lisboa, Portugália Editora, s. d., pp. 9-12.

sábado, 2 de maio de 2009

Obrigado, T

A T, dos Dias que Voam , é sempre de grande generosidade. Já me presenteou várias vezes, tanto na Caverna como no Ferreira de Castro . Agora foi este desenho de Barker, um artista que desconheço, um dos muitos e excelentes que tem publicado. Não percam.

domingo, 19 de abril de 2009

poesia de cascais #15 - Mário Avelar



a Jorge Vaz de Carvalho

Meditação 9.

Lucas 1.26. Ao sexto mês, o anjo Gabriel foi
enviado por Deus a uma cidade da Galileia
chamada Nazaré... A caixa de música


Junto ao velho muro divago p'la casa.
Reconstruo passo a passo seus percursos.
Um sopro. Por favor, fala comigo. Please,
just talk to me... A voz de Gabriel levando-me

para longe: Cascais, o remoto verão
quente de 75. Mês d'Agosto,
talvez. O povo está com o M.F.A.
A rajada de G3... para o ar, diz

com gestos o alferes. Distante, nas tábuas,
um velho cai de joelhos: a caixa de
música. Singulares fumos e odores

envolvem o infante. Feixes de luz cruzam
o espaço dominado pela voz de
Gabriel, um irmão, sob o signo do Touro.

Luís Cardim (Cascais, 1879 - Porto, 1958), PROJECÇÃO DE CAMÕES NAS LETRAS INGLESAS (1940)

PALAVRAS PRÉVIAS
O presente trabalho é constituído pela adaptação a Caderno Cultural duma conferência realizada, em Agosto de 1939, no Curso de Férias da Faculdade de Letras de Lisboa, por muito amável e honroso convite da sua ilustre Comissão Directiva.
Luís Cardim, Projecção de Camões nas Letras Inglesas, Lisboa, Editorial Inquérito, 1940.

sexta-feira, 17 de abril de 2009

Bernardino Machado na Cidadela

No blogue dedicado a Bernardino Machado, de Manuel Sá-Marques
Foto de 1917, Bernardino com Norton de Matos e Leote do Rego.

terça-feira, 14 de abril de 2009

Almada Negreiros, MATERNIDADE (1948)

-- Nos desenhos da Maternidade, o menino transforma-se num pássaro, num mosquito, numa coisa, desfeito em brinquedo nas mãos da mãe. No fim já é só um frangalho.
-- Onde é que foram feitos os desenhos da Maternidade?
-- Os desenhos da Maternidade foram feitos em Bicesse, num dia entre as 10 da manhã e as 8 da noite.
Para mim foi uma coisa maravilhosa!
Desceu a rir a escada do quarto que vem a dar à sala. Vinha muito bem-disposto, com uma resma de papel debaixo do braço: «Olha, diz, para me trazerem o pequeno-almoço e que mo ponham na mesa de pedra.» Era ali, naquela mesa de mó de moinho que ele gostava de tomar o pequeno-almoço no Verão. Tomou o pequeno-almoço, pôs de lado o tabuleiro e começou a desenhar.
Era maravilhoso!
Depois veio o almoço. Voltou-se a tirar os papéis, comemos, acabámos e voltou ao desenho.
Depois veio o lanche e voltou até à noite.
Não assinou, pôs só 48, foi em Agosto.

Maria José Almada Negreiros, Conversas com Sarah Affonso, 2.ª edição, Lisboa, o jornal, 1985, pp. 150-151.

quinta-feira, 9 de abril de 2009

poesia de cascais #14 - António Graça de Abreu



Outono, na casa das Areias, S. Pedro do Estoril

Depois de uma noite de chuva
tudo claro e limpo.
A buganvília, as árvores pequenas,
cada uma com a sua seiva.
Os pardais, os melros negros,
cada um com o seu trinar.
Os insectos, as moscas,
cada uma com o seu voar.
Por baixo, insondável a grandeza da terra,
por cima, infinita a altura do céu.
Fácil, entrever a aparência das coisas,
difícil, penetrar na essência do todo

sexta-feira, 27 de março de 2009

domingo, 22 de março de 2009

poesia de cascais #13 - Jorge Marcel

senhor poeta desculpe mas deveria
por nascido em Cascais ser mais respeitador
você que tem olho para o brilho do brunido
nunca notou o inconfundiveloso ar
com que os testas-coroados esvoaçam a baía?
não lhe chegariam a si os dedos
das suas quatro curtas proletárias extremidades
para atingir o número de avenidas
que na sua simpática vila têm
nome de rei ou arquiduque-passa
graças a deus que os seus camariosos
têm sido ao presente bem nascida
e não se dimentique
tivesse o yacht areado noutra areia
anadaria agora o poeta aos polvos
sem aprender a usar gravata-laço
senhor poeta desculpe mas deveria
ser no que escreve um ponto menos grosseirote
ser mais à reverência e não causar
com o seu verso francamente vil, baixote
à hora do almoço do exílio ao domicílio
tanto alvoroço tanto quezílio tanto embaraço

sábado, 14 de março de 2009

A. FONTOURA DA COSTA (Alpiarça, 1869 - Cai-Água / S. Pedro do Estoril, 1940) - A EVOLUÇÃO DA PILOTAGEM EM PORTUGAL (1931)

Discurso lido na sessão inaugural da abertura das aulas da Escola Naval, no dia 11 de Outubro de 1930.
Senhor Presidente da República
Meus Senhores
Camaradas:
Sendo hoje a primeira vez que se reaiza uma sessão inagural da abertura das aulas da Escola Naval, na vigência do regimen republicano, é justo que comece por prestar a mais sincera e saudosa homenagem aos ilustres professores que abandonaram o magistério após o anos de 1910.
A. Fontoura da Costa, A Evolução da Pilotagem em Portugal, Lisboa, Imprensa da Armada, 1931, p. 5.

domingo, 8 de março de 2009

poesia de cascais #12 - Fiama Hasse Pais Brandão


DA COSTA DE CASCAIS

Aqui, na orla do mar, as cruzes
são sinais de pescadores perdidos
no fundo, mortos, quando buscam
o sal da vida. Em vez de a sua força
fazer ceder a vaga sob o anzol,
é a força do mar ou a paixão da vida
-- arquejante e morta --
que os puxa para um purgatório
de água revolta e de limos.

terça-feira, 24 de fevereiro de 2009

JOSÉ DA CUNHA BROCHADO (Cascais, 1651 - Lisboa, 1733) - "Embaixador mesquinho"

Resolvendo a Rainha D. Catarina voltar para Portugal depois da última revolução de Inglaterra mandou El-Rei o Conde de Pontevel para a conduzir em qualidade de Embaixador a quem deu grossas ajudas de custo. Partiu ele de Lisboa, e segundo dizem com muito pobre equipagem, e de nenhum modo em grande Senhor. Chegando a Orleães encontrou a Manuel Dias, Capelão da Rainha, que trazia ordem para o fazer voltar para Portugal, por quanto S. Mag.de não podia por então sair de Inglaterra a que o Conde replicou, que ele havia de fazer a sua jornada, e dela não havia de desistir sem ordem do seu Rei. Instou o Padre com as mais fortes razões, que pôde, mostrando uma carta expressa da Rainha, e sendo esta circunstância notavelmente diversificante do estado das cousas, e que ele ao menos devia fazer presente ao seu Príncipe para com a sua resolução continuar a jornada, ou voltar-se, nada obrou, e porfiosamente propôs segui-la, dando a entender que não queria perder a jóia, e utilidades, que esperava tirar desta função. [...]

Memorias de José da Cunha Brochado Extrahidas das Suas Obras Ineditas por Mendes dos Remedios, Coimbra, França Amado Editor, 1909, p. 1; edição fac-similada, Cascais, Câmara Municipal, 1996.

sábado, 21 de fevereiro de 2009

linhas de cascais - Vergílio Ferreira



Havia damas que nunca se viam na rua. Vira-as ele, Chico, fumando e bebendo no Estoril. Évora era a Queresma e Lisboa o Carnaval.

Vergílio Ferreira, Aparição, Lisboa, Editorial Verbo, 1971, p. 31.

Pessoa em Bicesse

-- O quadro do Fernando Pessoa foi feito aqui em Bicesse, no atelier do pinhal, não foi?

-- Foi.

Maria José Almada Negreiros, Conversas com Sarah Affonso, 2.ª edição, Lisboa, O Jornal, 1985, p. 82.

 
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