quinta-feira, 10 de setembro de 2009

José da Cunha Brochado na Corte de Luís XIV (1)

«Os senhores da nossa terra cuidam que tudo
se obra por interesse para haver despachos e
mercês, e nada por fineza e inclinação natural
de brio e honra.»

José da Cunha Brochado
Carta a desconhecido
21 de Agosto de 1701

Nascido em Cascais, em 2 de Abril de 1651 (1), filho de António da Cunha da Fonseca, governador do castelo de São Jorge, e de Joana Quental -- cuja possibilidade de parentela como oratoriano Frei Bartolomeu do Quental, remoto antepassado de Antero, foi alvitrada por António Álvaro Dória (2) --, José da Cunha Brochado surge-nos como uma das mais proeminentes figuras dos séculos XVII e XVIII em Portugal, pela qualidade do legado epistolográfico e pelo brilho com que serviu o seu país enquanto diplomata, quase sempre em circunstâncias adversas.

(1) Segundo J. Sousa Mendes*, na introdução a José da Cunha BROCHADO, «Anedotas e Memórias da Corte de França» [1952-57] (Vértice, vol. XII, n.º 107, Coimbra, Julho de 1952, p. 356), faleceu em Lisboa, em 1735; informação diferente -- m. Sintra, 1733 -- dá-nos José Calvet de Magalhães, «José da Cunha Brochado (1651-1733)», Boca do Inferno, n.º 2, Cascais, Câmara Municipal, 1997, p. 161.

(2) António Álvaro Dória, prefácio a José da Cunha Brochado, Cartas, Lisboa, Lisboa, Livraria Sà da Costa Editora, 1944, p. VII.

*Pseudónimo do historiador Luís de Albuquerque.

José da Cunha Brochado na Corte de Luís XIV, Cascais, edição do autor, 1999, p. 7.

(continua)

domingo, 16 de agosto de 2009

Um escândalo póstumo -- A candidatura de Fernando Pessoa ao lugar de conservador do Museu-Biblioteca Condes de Castro Guimarães (2)

Este período, de acordo com o seu mais conhecido biógrafo, caracterizou-se por uma grande perturbação do foro psíquico. Ao mesmo tempo, era atormentado pela urgência da organização da obra dispersa e inédita, numa corrida contra o tempo, que ele sabia faltar-lhe. (3)
(3) Ver João gaspar Simões, Fernando Pessoa. Breve História da Sua Vida e da Sua Obra, Lisboa, Difel, 1983, p. 98.
Sol XXI, n.º 24, Caracavelos, Março de 1998, p. 8.
(continua)

segunda-feira, 10 de agosto de 2009

A. Fontoura da Costa (Alpiarça, 1869 - Cai-Água / S. Pedro do Estoril, 1940) - ÀS PORTAS DA ÍNDIA EM 1484 (1935)

Às Portas da Índia em 1484*
«Dois são os marcos miliarios do ciclo dos descobrimentos portuguezes; duas são as balizas especialmente gloriosas que se erguem na rota das Indias: o Cabo Bojador e o Cabo da Boa Esperança.
..................................................................................................................................
Dobrar o Cabo da Boa Esperança o mesmo era que determinar claramente a forma geographica da Africa e abrir as portas da India a mais felizes navegadores».

(Henrique Lopes de Mendonça -- Bartholomeu Dias e a rota da India, Lisboa, 1898, pág. 6).

1 -- Uma oportuna comunicação do professor Eugène Déprez ao Congresso das Ciência Históricas de Varsóvia (1) , em Setembro de 1933, veio rememorar a debatida questão: «qual o ano em que foram abertas as portas da Índia à armada do Gama?»

* Os primeiros capítulos devem considerar-se o preâmbulo do último.
Era indispensável a análise das primeiras viagens do reinado de D. João II. Sem ela não seria possível tratar das hipóteses que podem explicar a famosa passagem da notável Oração de Vasco Fernandes de Lucena -- razão deste trabalho. Creio ainda que esta análise, executada por quem praticou no mar, tem também a vantagem de poder encarar determinadas interpretações novas, que vêm rectificar algumas opiniões de vários historiadores.
(1) Eugène Déprez -- Les Portugais et le périple de l'Afrique en 1484 avant Dias (in Résumés des comunications presentées au Congrès de Varsovie. Vol. II, pág. 283 à 297). Varsovie, 1933.
Devo o conhecimento deste comunicação ao meu ilustre amigo, insigne historiador e admirador de D. João II, Joaquim Bensaúde. A ele devo igualmente o ter-me incitado a escrver este trabalho. os meus respeitosos agradecimentos.

A. Fontoura da Costa, Às Portas da Índia em 1484, Lisboa, Edições Culturais da Marinha, 1990.

domingo, 9 de agosto de 2009

Regata do Atlântico Azul

A Caverna abre-se ao Atlântico Azul, um
grande blogue cascarejo. Visitem-no!...

quarta-feira, 5 de agosto de 2009

Uma tela e uma sinfonia para o «Cascais» de Garrett (2)

Foi uma ligação tempestuosa. Apesar dos cuidados de ambos, Lisboa era demasiado pequena para que a conseguissem ocultar. Rosa Montúfar tinha também outros amantes, circunstância que provocava em Garrett penosas crises de ciúme.

Jornal da Costa do Sol, n.º 1550, Cascais, 22 de Janeiro de 1998, p. 14.
(continua)


Gravura retirada do magnífico blogue O Divino Almeida Garrett, de Cristina Futscher Pereira.

sábado, 1 de agosto de 2009

Três escritores em tempo de catástrofe: Castro, Zweig e Eliade (2)

Ferreira de Castro no Estoril: um intervalo na obra do escritor
Os pontos cardeias da geografia de Ferreira de Castro (1898-1974) são a aldeia de Salgueiros (freguesia de Ossela, concelho de Oliveira de Azeméis), onde nasceu; o Brasil amazónico, que formou a sua personalidade; Paris, por razões culturais e políticas; e Sintra, onde jaz, num sopé da serra, e lhe é consagrado um museu monográfico.
Boca do Inferno, n.º 3, Cascais, Câmara Municipal, 1998, p.92.
(continua)
Postado também no Ferreira de Castro

segunda-feira, 27 de julho de 2009

poesia de cascais #18 - José Gomes Ferreira



Areia

II

(Tenho uma casa alugada nos Lombos,
perto da praia de Carcavelos, onde todas
as manhãs convivo com os deuses.)

Quem és?

Tu que deixaste no céu pegadas de nuvens
e atravessaste o mar
com pés de espuma
para depois te perderes no bosque
vestida de areia
e farrapos de ventanias?

Quem és? Quem és?

(Sou eu a acrescentar o mistério do mundo
farto deste mistério de todos-os-dias.)

quinta-feira, 23 de julho de 2009

José da Cunha Brochado (Cascais, 1651 -- Lisboa, 1733) - CARTAS

PRÓLOGO DO AUTOR
As muitas cartas particulares que fui obrigado a escrever, assistindo em Paris, em resposta das que recebia de pessoas que me honravam com a sua correspondência, ou que escrevia para conservar a sua amizade, ficavam copiadas, sem ordem, em papéis separados, porque a sua matéria não era necessária para justificar a contextura e progresso de alguma negociação recatada em cartas de ofício. Algumas destas cópias se acharam entre os meus papéis, que fiz transcrever neste peqeuno volume, para obedecer às suaves e honradas importunações de alguns amigos.
José da Cunha Brochado, Cartas, selecção, prefácio e notas de António Álvaro Dória, Lisboa, Livraria Sá da Costa Editora, 1944, p. LXXIII.

segunda-feira, 20 de julho de 2009

A. Fontoura da Costa. Um capitão de longo curso na História dos Descobrimentos (1)

Apresentação de «A. Fontoura da Costa e a Marinharia dos Descobrimentos», exposição bibliográfica e documental patente no Museu do Mar, entre 18 de Maio e 31 de Outubro de 1997 [policopiado]
Uma exposição evocativa da figura do historiador e oficial de Marinha Abel Fontoura da Costa justifica-se só por si num espaço como o Museu do Mar. Há, porém, um outro aspecto que muito contribuiu para a realização desta pequena mostra. Fontoura da Costa foi munícipe do concelho de Cascais. A casa que mandou edificar em 1920, e onde viria a falecer -- no "Casal da Trindade", em S. Pedro do Estoril (então, Cai Água), tendo o mar como horizonte, amplo jardim e pomar onde coexistiam pássaros de vária espécies, em gailodos e em liberdade (1) --, serviu em grande parte como local de recolhimento para a elaboração da totalidade da sua obra historiográfica.

(1) Ver Calos Garcez de Lencastre, «Evocando Fontoura da Costa», prefácio a Às Portas da Índia em 1484, 2.ª ed., facsimilada, Lisboa, Edições Culturais da Marinha, 1990.

(continua)

quinta-feira, 2 de julho de 2009

A. H. de Oliveira Marques (Cai-Água / S. Pedro do Estoril, 1933 - Lisboa, 2007) -- HANSA E PORTUGAL NA IDADE MÉDIA (1959)

Palavras de agradecimento

Seria difícil agradecer a todos aqiueles que nos auxiliaram na execução e conclusão deste trabalho, que fornecendo-nos elementos bibliográficos ou arquivísticos, quer sugerindo-nos hipóteses ou modificações, quer ainda ajudando-nos, por um incitamento, uma palavra amiga, um simples testemunho de apoio moral.

Hansa e Portugal na Idade Média, 2.ª edição, Lisboa, Editorial Presença, 1993, p. 9.

segunda-feira, 29 de junho de 2009

poesia de cascais #17 - Fernando Grade



LUTÉCIA OU LUTH NO OUTRO VENTO DO GUINCHO
(Arte Maior)

«Não é justo antepor à sabedoria a mera força corpórea.»
(Xenófanes de Cólofon)


No fogo dos nervos, ao ranger dos ventos,
Todos os rostos são de palha em plena tarde:
Os olhos de malva ficaram cinzentos;
E o que foi gaivota torna-se leopardo.

«Queima os pulsos, foge de noite, ou esquece-a...»
-- Ouço uma voz lenta, ao longe nos sargaços.
Mas no sangue sinto a boca de Lutécia,
No bojo do seu corpo tenho os meus braços.

Como escapar (rápido) à fúria da foca?...
Pego em pedras, não, rasgo-lhe o púbis, cego-a,
Dispo-a, brutal, sim, com facas na boca.

Nos beijos fumados entre o lince e a égua,
Os olhos malvinos são (de novo) balas
-- E o nojo de Luth vai dentro das malas.

domingo, 21 de junho de 2009

Sete cartas de Luís Cardim a Roberto Nobre (2)

Esta crítica foi causa próxima de um ensaio de Luís Cardim, publicado também na Seara, durante cinco números, entre 16 de Abril e 24 de Maio desse ano, sob o titulo «É o Hamlet representável?», posteriormente editado em volume, ligeiramente aumentado e com outro título: Os Problemas do «Hamlet» e as suas dificuldades cénicas. (A propósito do filme de Sir Laurence Olivier), Seara Nova, Lisboa, 1949 -- facto que a publicação anuncia em manchete (manchete ao estilo da Seara, claro está...), saudando o autor: «incontestavelmente a nossa primeira autoridade em língua e literatura inglesa, como o Dr. Paulo Quintela o é para a língua e literatura alemã.» (1)
(1) 25 de Junho de 1949.

Boca do Inferno, n.º 1, Cascais, Câmara Municipal, 1996, p. 95.
Postado também no Ferreira de Castro.
(continua)

quinta-feira, 11 de junho de 2009

Fernando Lopes-Graça (Tomar, 1906 - Parede, 1994), SOBRE A EVOLUÇÃO DAS FORMAS MUSICAIS (1940)



PREFÁCIO DA 2.ª EDIÇÃO
Publicado pela primeira vez faz dezanove anos, este livrinho teve a fortuna de ser bem acolhido tanto em Portugal como no Brasil, e há muito se achava esgotado. A ideia do seu editor de o reiprimir corresponde a uma penhorante solicitação do público. O autor achou conveniente fazer, não uma refundição, mas uma revisão do seu trabalho, expurgando-o de alguns erros, de certas imprecisões na exposição, e acrescentando-lhe, por outro lado, meia dúzia de linhas sobre os novíssimos aspectos que a matéria versada reveste. Uma sumária e talvez útil Bibliografia completa o ensaio -- título porventura ambicioso para um escrito que não pretende à originalidade, mas visa sobretudo um fim pedagógico.
Lisboa, Maio de 1959
F.L.G.
INTRODUÇÃO:
CONSIDERAÇÕES GERAIS
De todas as ideias filosóficas modernas, uma das mais espalhadas, mas também das mais perigosas, pelo seu abusivo emprego, é sem dúvida a de progresso. Justa e plenamente aceitável quando se trate das conquistas materiais e mesmo das relações sociais do homem, é todavia de melindrosíssimo uso quando aplicada às coisas do espírito e, mormente, à Arte.
Fernando Lopes-Graça, Sobre a Evolução das Formas Musicias, 2.ª edição, Lisboa, Editorial Inquérito, 1959, pp. 9/11.

domingo, 31 de maio de 2009

poesia de cascais #16 - Jorge de Sena


«SOPHIA DA MONARQUIA...»

Sophia da monarquia,
sofia republicana,
recebi a antologia,
corrigida e ampliada,
com sua dedicatória
de antiga amizade grada,
em que me anotas a história
e para a História registas
que em Creta tu te banhaste
no esplendor da maresia,
com o meu velho Minotauro..
Em Creta, com o Minotauro,
por onde andamos, Sophia!
Que outros poetas se banhem
em Estorises e Cascáises
de água turva lusitana.
A nós as ilhas da Grécia!
A nós a fonte do dia!
A nós o leite que mana
de ser-se sofia e Sophia!

13/10/1970

domingo, 24 de maio de 2009

Branquinho da Fonseca (Mortágua, 1905 - Malveira da Serra, 1974) - O BARÃO (1942)



Não gosto de viajar. Mas sou inspector das escolas de instrução primária e tenho obrigação de correr constantemente todo o país. Ando no caminho da bela aventura, da sensação nova e feliz, como um cavaleiro andante. Na verdade lembro-me de alguns momentos agradáveis, de que tenho saudades, e espero ainda encontrar outros que me deixem novas saudades. É uma instabilidade de eterna juventude, com perspectivas e horizontes sempre novos. Mas não gosto de viajar. Talvez só por ser uma obrigação e as obrigações não darem prazer. Entusiasmo-me com a beleza das paisagens, que valem como pessoas, e tive já uma grande curiosidade pelos tipos rácicos, pelos costumes, e pela diferença de mentalidade do povo de região para região. Num país tão pequeno, é estranhável tal diversidade. Porém não sou etnógrafo, nem folclorista, nem estudioso de nenhum desses aspectos e logo me desinteresso. Seja pelo que for, não gosto de viajar. Já pensei em pedir a demissão. Mas é difícil arranjar outro emprego equivalente a este nos vencimentos. Ganho dois mil escudos e tenho passe nos comboios, além das ajudas de custo. Como vivo sozinho, é suficiente para as minhas necessidades. Posso fazer algumas economias e, durante o mês de licença que o Ministério me dá todos os anos, poderia ir ao estrangeiro. Mas não vou. Não posso. Durante esse mês quero estar quieto, parado, preciso de estar o mais parado possível. Acordar todas essas trinta manhãs no meu quarto! Ver durante trinta dias seguidos a mesma rua! Ir ao mesmo café, encontrar as mesmas pessoas!... Se soubessem como é bom! Como dá uma calma interior e como as ideias adquirem continuidade e nitidez! Para pensar bem é preciso estar quieto. Talvez depois também cansasse, mas a Natureza exige certa monotonia. As árvores não podem mexer-se. E os animais só por necessidade física, de alimento ou de clima, devem sair da sua região. Acerca disto tenho ideias claras e uma experiência definitiva. É até, talvez, a única coisa sobre que tenho ideias firmes e uma experiência suficiente. Mas não vou filosofar; vou contar a minha viagem à serra do Barroso.

O Barão, 4.ª edição, Lisboa, Portugália Editora, s. d., pp. 9-12.

sábado, 2 de maio de 2009

Obrigado, T

A T, dos Dias que Voam , é sempre de grande generosidade. Já me presenteou várias vezes, tanto na Caverna como no Ferreira de Castro . Agora foi este desenho de Barker, um artista que desconheço, um dos muitos e excelentes que tem publicado. Não percam.

domingo, 19 de abril de 2009

poesia de cascais #15 - Mário Avelar



a Jorge Vaz de Carvalho

Meditação 9.

Lucas 1.26. Ao sexto mês, o anjo Gabriel foi
enviado por Deus a uma cidade da Galileia
chamada Nazaré... A caixa de música


Junto ao velho muro divago p'la casa.
Reconstruo passo a passo seus percursos.
Um sopro. Por favor, fala comigo. Please,
just talk to me... A voz de Gabriel levando-me

para longe: Cascais, o remoto verão
quente de 75. Mês d'Agosto,
talvez. O povo está com o M.F.A.
A rajada de G3... para o ar, diz

com gestos o alferes. Distante, nas tábuas,
um velho cai de joelhos: a caixa de
música. Singulares fumos e odores

envolvem o infante. Feixes de luz cruzam
o espaço dominado pela voz de
Gabriel, um irmão, sob o signo do Touro.

Luís Cardim (Cascais, 1879 - Porto, 1958), PROJECÇÃO DE CAMÕES NAS LETRAS INGLESAS (1940)

PALAVRAS PRÉVIAS
O presente trabalho é constituído pela adaptação a Caderno Cultural duma conferência realizada, em Agosto de 1939, no Curso de Férias da Faculdade de Letras de Lisboa, por muito amável e honroso convite da sua ilustre Comissão Directiva.
Luís Cardim, Projecção de Camões nas Letras Inglesas, Lisboa, Editorial Inquérito, 1940.

sexta-feira, 17 de abril de 2009

Bernardino Machado na Cidadela

No blogue dedicado a Bernardino Machado, de Manuel Sá-Marques
Foto de 1917, Bernardino com Norton de Matos e Leote do Rego.
 
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