quarta-feira, 28 de janeiro de 2015
segunda-feira, 26 de janeiro de 2015
sexta-feira, 21 de novembro de 2014
linhas de cascais -- Camilo Castelo Branco
«Domingos José Correia Botelho de Mesquita e Meneses, fidalgo de linhagem e um dos mais antigos solarengos de Vila Real de Trás-os-Montes, era em 1779, juiz-de-fora de Cascais, e nesse mesmo ano casara com uma dama do paço, D. Rita Teresa Margarida Preciosa da Veiga Caldeirão Castelo Branco, filha dum capitão de cavalos, neta de outro, António de Azevedo Castelo Branco Pereira da Silva, tão notável por sua jerarquia, como por um, naquele tempo, precioso livro acerca da Arte da Guerra.»
Amor de Perdição (1862)
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segunda-feira, 13 de outubro de 2014
linhas de cascais - Fernando Pessoa
Na Casa de Saude de Cascaes
inclue: -- (1) Introdução, entrevista com António Mora.
(2) Alberto Caeiro.
(3) Ricardo Reis.
(4) Prolegómenos de Antonio Mora.
(5) Fragmentos.
Vida e obras do engenheiro Alvaro de Campos
Livro do Desassocego
escripto por Vicente Guedes, publicado por Fernando Pessoa.
Livro do Desassossego por Bernardo Soares (edição de Jacinto do Prado Coelho, com Maria Aliete Galhoz e Teresa Sobra Cunha)
domingo, 28 de setembro de 2014
linhas de Cascais -- Carlos Querido
«No dia 4 de Novembro do ano de 1715, aguardava-nos o mar inquieto, agitado por uma forte nortada, rasgado por ondas que se despenhavam na praia de Cascais com estrondo e espuma. Transido de frio e de medo, o mestre da embarcação de pesca Aurora tirou respeitosamente o barrete, que apertava nervoso entre as mãos calejadas, enquanto balbuciava palavras desconexas sobre o mar ruim e o perigo para a vida de Sua Alteza. Pareceu-me ver a mesma súplica no olhar de D. Manuel Teles da Silva, mas o Infante foi inflexível, e seguimos viagem. A Virgem Santíssima nos guie, disse o mestre antes de embarcar, e todos os remadores se benzeram. Em silêncio, fustigados pelo vento e pela chuva, que começava a cair, escalávamos as ondas que se erguiam, abruptas, à proa, para nos despenharmos depois na sua passagem, num remoinho que parecia arrastar-nos para o abismo, evitado pela perícia dos remadores, rijos e hábeis, habituados à fúria do mar.»
A Redenção das Águas (2013)
sábado, 7 de junho de 2014
650 anos da vila de Cascais
A 7 de Junho de 1364, D. Pedro I outorgou carta de vila à aldeia piscatória de Cascais, até então pertencente ao concelho de Sintra.
imagem daqui
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sexta-feira, 2 de maio de 2014
linhas de Cascais - Alves Redol
«Só dois homens estariam aptos a flutuar, ao que depois se averiguou. Julinha Quintela explicou a Miguel e à mulher, muito enciumada com o devaneio marital, que já estivera em Cascais três horas dentro de água. Era uma delícia.»
Barranco de Cegos (1961)
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quinta-feira, 27 de fevereiro de 2014
poesia de cascais - António Torrado
DONA VANDA
Dona Vanda
Vitorino
de Verdasca
Vale Velez
deu um berro
Vasconceeeelos!
que se ouviu
em Carcavelos.
Veio a vila
toda vê-la.
Só não veio
o Vasconcelos
que não estava
em Carcavelos.
in Maria de Lourdes Varanda & Maria Manuela Santos, Poetas de Hoje e de Ontem -- Do Século XIII ao XXI para os Mais Novos, s.l., Edições Chimpanzé Intelectual, 2007.
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quarta-feira, 11 de dezembro de 2013
Nadir Afonso (Chaves, 4.II.1920 -- Cascais, 11.XII.2013)
O grande Nadir Afonso, tão cosmopolita, tão único, tão ligado a Cascais.
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P&R [pergunta e resposta] - Pedro Burmester
Porque é que depois, no meio de um programa clássico, incluis Fernando Lopes-Graça, que nunca tinhas tocado, e Gyorgy Ligeti, dois compositores mais contemporâneos? Lopes-Graça é um compositor extraordinário. Um dos mais importantes vultos da cultura portuguesa do século XX, a par de um Pessoa, ou de um Saramago. Não é um compositor fácil, nem para tocar, nem para ouvir. Não cede nunca a facilitismos, muito coerente, muito sério no seu trabalho, com um conhecimento da escrita incrível, e que vai beber quase sempre à grande riqueza da música tradicional portuguesa. Simbolicamente, esta é a primiera obra que escreve para piano, em 1923. Portanto, é uma obra já com quase 100 anos. Mas já lá está tudo. É uma variação sobre um tema tradicional português, que ele não explica qual é. Espero que esta seja a primeira de mais obras de Lopes-Graça que gostaria de tocar no futuro.
Entrevista a Valdemar Cruz, Expersso / Actual #2145, 7.XII.2013.
sábado, 14 de setembro de 2013
poesia de cascais - Ibn Mucana
1. - Ó tu que habitas Alcabideche, não te faltará o grão nem terás escassez de cebolas, nem de abóboras!
2. - Se és homem enérgico não te faltará a nora das nuvens, sem necessidade de mananciais,
3. - pois a terra de Alcabideche, quando o ano é bom, não produz mais que vinte cargas de cereais,
4. - e se der alguma coisa mais, chegam as manadas de javalis reiteradamente.
5. - Há pouca coisa útil nesta terra, como em mim próprio que sou duro de ouvido.
6. - Deixei os reis cobertos com os seus mantos, deixei de ir em seus cortejos.
7. - Converti-me em Alcabideche em colhedor de espinhos com uma foice guarnecida e afiada.
8. - E se me perguntam: Gostas? Respondo-lhes: "O amor à liberdade faz parte do carácter nobre".
9. - O apreço e os benefícios de Abu Bakr al-Muzaffar conduziram-me até aqui, à minha morada.
versão de María de Jesús Rubíera Mata
(trad. Pepita Tristão)
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terça-feira, 6 de agosto de 2013
linhas de cascais - João Gaspar Simões
Desceu em Cascais e foi andando até à beira mar. Não havia lua, mas a noite estava clara. As estrelas irradiavam sobre a terra uma luz de diamante. Tornejou o Museu Castro Guimarães, atravessou a ponte, abeirou-se da falésia. Em baixo, o mar ondulava, possante e negro: parecia uma fera dormindo. Céu e mar confundiam-se. Juvenal nunca tinha visto as estrelas tão baixas no horizonte: entravam, parecia, pelo próprio oceano. Tirou o chapéu, ergueu a cabeça para o alto. A brisa, repassada de maresia, enchia-lhe o peito. Veio-lhe, de repente, uma ânsia insofrida de ar livre, de imensidão, de paz no seio da natureza! Por entre os troncos contorcidos via brilhar, ao longe, os lampiões da Costa do Sol. Dir-se-iam outras tantas estrelas, mais pálidas, que o mar prolongasse de reflexos.
Pântano (1940)
sábado, 25 de maio de 2013
linhas de cascais: Francisco Costa

Em certo dia do reinado de D. João I, talvez nesse período atribulado e heróico das guerras com Castela, dois velhinhos dos arredores de Lisboa foram avisados em sonho de que a Virgem Santíssima lhes apareceria num local distante e deserto.
[...] Ele era de Alcabideche, uma das aldeias da planície onde os ventos se precipitam das penhas nevoentas de Sintra. E indiferente aos rigores do tempo e às fadigas, lá foi de terra em terra, inquirindo e esmolando, esfarrapado, com o corpo sujo de pó e de lama, e a alma cheia de luz.
[...]
A fé ganhou também cidade; subiu aos paços reais e aos paços eclesiásticos. No começo do século XVII, um rapaz de Carnaxide e uma velhinha de Alcabideche, instruídos apenas pela sua ardente fé, organizaram a Confraria de Nossa Senhora do cabo, formada por 30 freguesias do termo de Lisboa.
[...]
A encantadora origem deste culto por Nossa Senhora do Cabo, a forma enternecedora como a suave posse da Santa Imagem se reparte por igual numa área tão vasta e populosa, demonstram que o espírito dos povos saloios -- tão mal compreendido, tão caluniado por vezes -- é bem capaz de elevação e delicadezas comoventes. [...]
«Aparição e culto de Nossa Senhora do Cabo -- Uma criação da alma saloia» (1937)
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quinta-feira, 25 de abril de 2013
linhas de cascais - Mário Cláudio
Porto, sexta-feira, 11 de Maio de 2012
Morre em estranhas circunstâncias Bernardo Sassetti, o autor da música de "Retrato", cantado por Carlos do Carmo, sobre poema meu. Despenhado numa falésia da Praia do Guincho, quem sabe se voluntariamente, por por mal de amor, leu o que eu não li nas minhas linhas, e inventou-me um clima que afinal era meu.
«Diário», JL_Jornal de Letras, Artes e Ideias, #1110, Lisboa, 17 de Abril de 2013.
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domingo, 24 de fevereiro de 2013
linhas de cascais - Miguel Sousa Tavares
Mas, num final de tarde, escapamos do palácio à beira-mar e do seu enredo e apanhamos um táxi para Mondello, uma espécie de Cascais de Palermo, só que parada no tempo e não dizimada pelos comendadores do betão armado.
«Regresso ao lugar do espanto», 2013.
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domingo, 17 de fevereiro de 2013
poesia de cascais - Afonso Duarte
Já meu reino foi calvário
Lá nos mares da TaprobanaNem tocou a igual sudário
A trombeta castelhana.
Se, como rosas de Abril,
Tem as praias do Estoril,
Já meu reino foi calvário.
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terça-feira, 12 de fevereiro de 2013
linhas de cascais - José Marmelo e Silva
Que sanguessuga, não calculam! De nada me valia mudar de quarto ou de café. Tinha um faro verdadeiramente policial. Perseguia-me tenazmente na Baixa, no Estoril, no Arcádia. Quantas vezes contrafeito me levara! A carraça! Estou a vê-la. Um belo lábio longo, entumecido, soberbo.
Depoimento (1939)
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quarta-feira, 16 de janeiro de 2013
linhas de cascais - Sarah Adamopoulos
Ela nunca o tinha visto na vida. Olhou em redor e tentou adivinhar. Não, não podia ser aquele. Aquele era um homem que tinha o cabelo louro e uma camisa às risquinhas. Tinha também uns sapatos com berloques. Cascais casual look.
A Vida Alcatifada (1997)
A Vida Alcatifada (1997)
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sábado, 12 de janeiro de 2013
linhas de cascais - Jorge Amado
O ministro recordaria o facto certamente, datava apenas de um ano: o então conselheiro da embaixada fora preso pela polícia lusitana quando, bêbado como uma cabra, tomava banho nu na praia elegante do Estoril, à meia-noite, em companhia da esposa do ministro salazarista das Obras Públicas, nua ela também, sem ter sequer longos cabelos com que cobrir o corpo «como o fazia Eva no Paraíso».
Os Subterrâneos da Liberdade -- I Os Ásperos Tempos (1954)
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