terça-feira, 2 de outubro de 2018

poesia de cascais #28













O LOPE DOS GALOPES

O Senhor Lopes
gostava de escalopes
e de cavalos
em trotes e galopes.
Um dia no Guincho
ouviu um relincho
e mesmo ao pé do mar
um cavalo a resfolegar.
Deixou de assinar Lopes
e passou a assinar
com letra cavalar:
GA-LOPES.

segunda-feira, 10 de setembro de 2018

linhas de cascais - Teixeira de Sousa

«Apesar de estar muito ocupado com a entrega da Delegacia de Saúde, o doutor Vicente anuiu finalmente em ler a carta. O conteúdo andava à volta do recrutamento de braços para S. Tomé, esse neo-escravismo, essa exploração do homem pelo homem, essa utilização da miséria das ilhas, esse aviltamento das gentes de Cabo Verde, em benefício de meia dúzia de roceiros vivendo em solares luxuosos da linha de Cascais. Era vergonhoso que alguém da terra, nascido da camada mais humilde da população e com sangue africano correndo-lhe nas veias, tivesse aceite o hediondo papel de contratador de escravos, todos seus irmão de raça.» Teixeira de Sousa, Ilhéu de Contenda (1978)

terça-feira, 29 de setembro de 2015

Revolta da Batata

Originada pela carestia de vida e escassez de alimentos, a Revolta da Batata eclodiu em Lisboa em 19 de Maio de 1917, espalhando-se depois para os concelhos limítrofes, entre eles o de Cascais, com tumultos na vila e em Carcavelos. O governo, entretanto, declarou o estado de sítio.
in Ramiro da Costa, Elementos para a História do Movimento Operário em Portugal (1820-1975), Lisboa, 1979

domingo, 30 de agosto de 2015

linhas de cascais - Soeiro Pereira Gomes


«-- O Meneses de Sá, coitado, perde mais de setecentos contos. Diz-se até que vai vender o palacete do Estoril.»

Soeiro Pereira Gomes, Esteiros (1942)

sexta-feira, 28 de agosto de 2015

linhas de cascais - Mário Domingues


«O automóvel atravessou Carcavelos numa confusão de poeira. Um cão acompanhou durante momentos, a língua pendente, a dentuça ameaçadora, ladrando com desespero.»


Mário Domingues, O Preto do «Charleston» (1930)

quinta-feira, 27 de agosto de 2015

linhas de cascais - Carlos Malheiro Dias


«A esquadra inglesa operava desembarques furtivos nas costas, aprisionava pequenas guarnições do litoral, ora ancorada em Cascais, desfraldando velames e içando sinalefas, ora cruzando no cabo da Roca.»


Paixão de Maria do Céu (1902)

sábado, 22 de agosto de 2015

linhas de cascais - Hélia Correia

«Henrique veio visitá-los quatro dias, interrompendo as férias que passava com os pais nas praias do Estoril, já perto de Lisboa onde os Coutinho se deslocavam com frequência "a preparar as coisas".»

O Número dos Vivos (1982) 

sexta-feira, 21 de agosto de 2015

linhas de cascais: Rosa Lobato de Faria

«Fomos ao Estoril e eu apaixonei-me à primeira vista pela casa. Era um prédio de dois andares, sossegado, numa rua com árvores e vista para o mar.»

 A Alma Trocada (2007)

quinta-feira, 20 de agosto de 2015

linhas de cascais - Olga Gonçalves

imagem

«Sim, aparece gente, lá em cima, nos rochedos, mas não faz mal. Veja lá se os estrangeiros se importam! É por isso que eu lá em Lisboa, gosto de ir para o Estoril. Com os estrangeiros não há preocupações.»






Olga Gonçalves, Floresta em Bremerhaven (1975)

quarta-feira, 19 de agosto de 2015

linhas de cascais - Tomaz Ribas

«À janela do seu quarto do elegante bungalow do Estoril, Nina olhava o mar. O sol doirado e suave dos primeiros dias de Verão caía lentamente e deixava atrás de si uma faixa luminosa que brilhava sobre o azul transparente e brilhante do mar. A brisa vinda de longe enrugava levemente as águas, varria a areia e corria sobre a terra fazendo baloiçar as árvores dos parques e jardins. A tarde ia a meio e Nina acabava de se arranjar nesse momento. Esperava visitas. Contra o seu hábito, naquela tarde arranjou-se mais cedo. Quando olhou para o relógio e viu que não eram ainda horas dos convidados começarem a chegar, abriu a janela e debruçou-se à varanda.  A luminosidade da tarde e o azul do mar deram-lhe uma sensação de tranquilidade. Nina gostava da luz do mar. Sentou o desejo de sair de casa, despir-se e correr sobre a areia, correr junto da água. Inclinou a cabeça, deixou que a brisa lhe desprendesse os cabelos e fixou os olhos ao longe... no oceano.»

Cais das Colunas (1959)

quinta-feira, 16 de julho de 2015

linhas de cascais - Fernando Faria

«O almocreve andava constantemente naquele vaivém de mercador, correio, estafeta e distribuidor -- um dia para ir, outro para regressar --, feito em grande parte pelos caminhos tortuosos da serra. Conhecia-lhe a rotina desde que há muitos anos, criança ainda, começara a acompanhar o pai naquela dura lida: abalada do terreiro da vila, junto ao paço real, pelo meio da manhã, com a carroça carregada e machos bem alentados para a jornada; passagem pelas várias aldeias que havia no caminho entre as suas vilas -- Azóia, Biscaia (lugar altaneiro este e voltado ao mar, onde costumava jantar num albergue que lá havia), Malveira da Serra, Aldeia de Jus[o], Birre..., e chegada ao largo do pelourinho de Cascais, pelo cair da tarde.»

O Noviço -- Do Paço de Azeitão ao Convento dos Capuchos, Lisboa, By The Book, 2015.

domingo, 15 de fevereiro de 2015

linhas de cascais -- Júlia Nery

«Depois de emborcarem canecas no Jardim da Cerveja, os três rapazes tinham desaguado no quarto do Teco, onde havia sempre hospitalidades de charros e speeds

Valéria, Valéria (1998)

sexta-feira, 21 de novembro de 2014

linhas de cascais -- Camilo Castelo Branco

«Domingos José Correia Botelho de Mesquita e Meneses, fidalgo de linhagem e um dos mais antigos solarengos de Vila Real de Trás-os-Montes, era em 1779, juiz-de-fora de Cascais, e nesse mesmo ano casara com uma dama do paço, D. Rita Teresa Margarida Preciosa da Veiga Caldeirão Castelo Branco, filha dum capitão de cavalos, neta de outro, António de Azevedo Castelo Branco Pereira da Silva, tão notável por sua jerarquia, como por um, naquele tempo, precioso livro acerca da Arte da Guerra.»

Amor de Perdição (1862)
 
Golf
Golf